Homicídio de Gaiato perpetrado por Hugo R. em legítima defesa, diz viúva de Berto Maluco

Porto, 16 Jan (Lusa) - A viúva de Alberto Ferreira, considerado pelo Ministério Público como um dos quatro responsáveis pelo homicídio de Nuno Gaiato, disse hoje em tribunal que os disparos fatais foram efectuados, em legítima defesa, pelo arguido Hugo R.

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O julgamento dos alegados responsáveis pelo homicídio do segurança Nuno Gaiato, o primeiro de vários ajustes de contas que marcaram a noite da cidade, em 2007, iniciou-se dia 07 no Tribunal de São João Novo, Porto, tendo ocorrido hoje a quinta sessão.

Andreia M. - uma testemunha que está sob protecção policial - afirmou ainda, citando o que lhe terá confidenciado o falecido companheiro Alberto Ferreira ("Berto Maluco"), que ele tinha receio que Hugo R. não assumisse a autoria dos disparos e que daí surgissem complicações para si próprio, uma vez que se encontrava em liberdade condicional.

Ainda de acordo com conversas que manteve com o companheiro - que viria a ser assassinado a rajadas de metralhadora meses mais tarde - Andreia M. contou que "Berto Maluco" foi efectivamente encontrar-se com Nuno Gaiato, juntamente com Hugo R., Vasco C. ("Vasquinho") e José S. ("Timóteo"), mas apenas com a perspectiva de clarificar situações, nunca para o abater.

Segundo Andreia M., o companheiro disse a Gaiato, na discoteca El Sonero, que apenas queria conversar, mas a reacção terá sido agressiva, com o opositor "sempre a apontar-lhe a arma".

O momento fatídico, na cozinha da discoteca, aconteceu quando, segundo a versão de Andreia M., Gaiato atingiu Hugo numa perna e este, ao cair, também disparou.

"Foi tudo numa fracção de segundos", disse.

"Se Nuno [Gaiato] não tivesse disparado, Hugo também nunca o teria feito", acrescentou a testemunha, sustentando assim a tese da legítima defesa.

Andreia M. testemunhou que "Berto Maluco" não possuía qualquer arma nessa altura e que tinha um passado de bom relacionamento com Gaiato.

Mas, contou, o relacionamento entre ambos foi afectado uma semana antes do crime por uma quezília entre Gaiato e um amigo de "Berto", na discoteca Number One.

O incidente terá provocado uma troca azeda de acusações, que, de acordo com Andreia M., foi atenuada com um pedido de desculpas de Gaiato a "Berto", através de mensagem de telemóvel, com estes dizeres: "Peço desculpa, exaltei-me. Sabes que sou teu amigo".

Andreia M. disse que o companheiro lhe fez um primeiro relato da situação quando chegou a casa, pouco depois do homicídio, na madrugada de 13 de Julho de 2007.

Nessa noite, "Maluco" chegou a casa transtornado, contando à companheira: "O Hugo matou o Nuno [Gaiato] e o Hugo [ferido no incidente] vai morrer".

Berto Maluco levou para casa a arma, que acabou por esconder num terreno da Maia e que recuperou mais tarde para atirar ao rio Douro, quando já estaria enferrujada, afirmou Andreia.

O próprio "Berto Maluco", temendo ser detido - dado que se encontrava em liberdade condicional - e receando a própria responsabilização directa pelo crime, acabou por ficar escondido num apartamento em Ermesinde durante dois dias.

Este julgamento reporta-se ao primeiro processo com acusação deduzida pela equipa especial que a Procuradoria-Geral da República constituiu em 12 de Dezembro de 2007 para averiguar os incidentes associados à noite do Porto.

Na acusação, concluída a 10 de Outubro do ano passado, a equipa especial liderada pela procuradora Helena Fazenda, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, acusou Hugo R., Vasco C. ("Vasquinho") e José S. ("Timóteo") pelo assassinato de Nuno Gaiato, consumado na discoteca Sonero a 13 de Julho de 2007.

Aos três arguidos são igualmente imputados crimes de coacção agravada, posse ilegal de arma e de estupefacientes.

A investigação do caso concluiu que o homicídio de Gaiato teve um quarto co-responsável, "Berto Maluco", um segurança que acabou abatido a rajadas de metralhadora, junto à sua residência em Santo Ovídio, Gaia, em 10 de Dezembro seguinte.

"Maluco" era também a pessoa que conversava com o dono da discoteca Chic, Aurélio Palha, quando este empresário da noite foi abatido a tiro a partir de uma viatura em andamento, às primeiras horas de 27 de Agosto.

O despacho de acusação refere que foi "Berto" quem tomou a iniciativa de convocar Hugo, "Vasquinho" e "Timóteo" - todos seguranças na discoteca Chic, de Aurélio Palha - para irem à discoteca Sonero com o preciso objectivo de matar Gaiato.

O julgamento prossegue segunda-feira.

JGJ.


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