Hospital averigua caso de paciente que perdeu um rim após cesariana

O Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB) anunciou hoje a realização de um inquérito interno ao caso de uma paciente que perdeu um rim dias depois de ter tido um parto por cesariana no Hospital da Covilhã.

Agência LUSA /

A mulher, de 33 anos, teve um parto por cesariana a 03 de Agosto no Hospital da Covilhã e nos dias seguintes o seu estado de saúde degradou-se, nomeadamente ao nível do sistema renal.

A avaliação feita por uma equipa de urologistas ditou que lhe fosse retirado um rim.

"Apesar de ainda não ter sido apresentada qualquer queixa por parte da utente, há que averiguar o que se passou", disse à Lusa Miguel Castelo Branco, presidente do Conselho de Administração do CHCB.

Santos Jorge, médico obstetra responsável pela intervenção, disse à Agência Lusa que "ao ser laqueada uma hemorragia durante a cesariana, foi lesionado um uréter", canal que liga os rins à bexiga.

Segundo o médico, em intervenções como uma cesariana "nem sequer se vê o uréter, caso contrário, os médicos não fechariam a barriga sem que um especialistas tratasse o problema".

Aquele responsável manifestou-se incomodado com o que aconteceu à parturiente, mas disse estar consciente de que deu o seu melhor durante a intervenção.

"Se não agisse como o fiz, face à hemorragia, poderíamos ter um corpo sem vida com um uréter inteiro", sublinha.

"A cesariana é uma intervenção de grande cirurgia, com riscos, e esta é uma das lesões conhecidas e documentadas", acrescentou.

Pode ou não levar à retirada de um rim e "felizmente é uma lesão pouco frequente", concluiu, referindo ter sido a primeira vez que se deparou com uma situação como esta ao longo de 30 anos de carreira.

"Houve problemas, que os médicos conhecem dos manuais e que não é a primeira vez que ocorrem no mundo", disse por seu lado Miguel Castelo Branco, segundo o qual "foi solicitado ao Colégio de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem dos Médicos que nomeasse um especialista, que vai dirigir o inquérito.

"Teremos uma avaliação independente e com total competência", salienta o presidente do CHCB.

Segundo referiu, o inquérito "deverá ser rápido", resolvendo-se numa questão de dias.

Aguarda-se apenas a nomeação do especialista "que estará a ser mais demorada devido ao período de férias que atravessamos".

Entretanto, Miguel Castelo Branco recusa-se a comentar quaisquer pormenores do caso, dizendo apenas que "a actividade médica nunca está isenta de riscos.

O que se passou não é sinal de falta de qualidade ou competência", sublinha.

Aquele responsável recorda que o CHCB está a ser sujeito a um processo de acreditação de acordo com normas de qualidade internacionais.

"A última auditoria ocorreu em Junho e avaliou de forma positiva o desempenho do Centro Hospitalar", concluiu.

Carlos Santos Jorge é médico do CHCB desde Janeiro deste ano. Tem 65 anos, mais de quatro mil cesarianas realizadas e é presidente da Sociedade de Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia há sete anos.

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