Hospital da Misericórdia de Cerveira vai reabrir
A reabertura do hospital da Santa Casa da Misericórdia de Cerveira vai receber, segunda-feira, luz verde com a assinatura do protocolo de cedência do edifício a um grupo privado de saúde, informou hoje o provedor da instituição.
Segundo José Manuel Rebelo, o edifício será cedido, por 29 anos, à Hospor (Hospitais de Portugal), recebendo a Misericórdia de Cerveira uma percentagem sobre a facturação anual.
"Até dois milhões de euros não recebemos nada, a partir daí entregam-nos três por cento e a partir de 2,5 milhões a percentagem sobe para cinco por cento", afirmou o responsável.
A Hospor, pertencente ao Grupo BES Saúde, vai encerrar a clínica de Vila Meã (ex-Clipóvoa), que detém em Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, transferindo todos os serviços para o rés-do-chão do antigo hospital da Misericórdia, onde foram investidos dois milhões de euros em obras de recuperação.
Numa segunda fase - acrescentou - "e caso tal se mostrar viável", a Hospor vai investir cerca de um milhão de euros no primeiro piso, para lá instalar uma unidade de internamento e um espaço para mini-cirurgias.
"A Santa Casa não gastou, nem gastará, um único cêntimo com estas obras", frisou José Manuel Rebelo.
Em equação está, igualmente, a hipótese de pôr a funcionar um serviço de urgência, até à meia-noite, tudo dependendo dos estudos de viabilidade económica que vão ser feitos.
"Se se confirmar que as urgências básicas do Vale do Minho vão ficar em Monção, penso que há sérias hipóteses de a Hospor se decidir pela abertura desse serviço em Cerveira", acrescentou o provedor da Misericórdia.
Inicialmente, a Santa Casa pretendia ficar com a gestão da unidade hospitalar, mas face às dificuldades em celebrar o acordo com o Serviço Nacional de Saúde decidiu- se por este protocolo com a Hospor.
As obras de remodelação do rés-do-chão do hospital estão prontas há ano e meio, mas a abertura do edifício foi sendo sucessivamente protelada.
O hospital da Misericórdia de Cerveira, um edifício com cerca de 80 anos, foi gerido desde 1995 por uma clínica com sede na Póvoa de Varzim (Clipóvoa), mas, em meados de 2001, a Santa Casa decidiu encerrá-lo por incumprimento do acordo celebrado entre as duas instituições.
O provedor da altura, Silvério Carvalho, disse que a Clipóvoa, além de não ter posto a funcionar o serviço de internamento também não fazia intervenções cirúrgicas em Vila Nova de Cerveira, "transferindo-as" para a sua própria clínica.
Face a esta situação, a ARSN denunciou o contrato que tinha com a Santa Casa para funcionamento do hospital.
A reabertura da unidade de saúde poderá constituir uma espécie de balão de oxigénio para a Santa Casa, que em meados de 2006 tinha uma dívida de 470 mil euros, 104 mil dos quais à Segurança Social e ao Fisco e o restante a fornecedores.