Hospital de Santo António apresenta operação "revolucionária" à próstata
O Hospital Geral de Santo António (HGSA), no Porto, apresentou hoje uma nova técnica cirúrgica para a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) que permite o regresso do doente à vida activa em cerca de uma semana.
Denominada "Vaporização hiper-selectiva da próstata com laser greenlight KTP", esta técnica foi já utilizada com êxito em cinco doentes do HGSA, o primeiro hospital público da Península Ibérica a recorrer a este tipo de intervenção.
Em conferência de imprensa, o director do serviço de Urologia daquela unidade hospitalar, Adriano Pimenta, afirmou que, face aos métodos até agora utilizados, a técnica pode ser considerada "revolucionária".
Referiu como vantagens o facto de não obrigar a internamento, quando antes era necessário o doente ficar internado pelo menos uma semana, nem à colocação de uma sonda para urinar.
Além disso, dá menos trabalho aos hospitais, permite aos doentes conduzir passados dois dias e obriga-os a apenas duas semanas de abstinência sexual.
Para Adriano Pimenta, o factor menos bom desta técnica prende- se com a impossibilidade de recolher uma pequena amostra dos tecidos para enviar para análise, uma vez que eles são totalmente destruídos.
O doente operado tem apenas de ter cuidados específicos nos primeiros 15 dias, como exemplo, "não praticar desportos radicais", afirmou o clínico.
Adriano Pimenta destacou também a rapidez da cirurgia através desta técnica, afirmando que, com recurso a uma anestesia ligeira, é possível operar o doente em "15 minutos, o mais tardar numa hora".
Em Portugal, disse, há cerca de 1,5 milhões de homens com doenças da próstata, sendo que a HBP afecta 500 mil com mais de 65 anos.
A HBP caracteriza-se pelo aumento da glândula da próstata que, nalguns casos, conduz à compressão da uretra e dificulta a saída da urina.
Esta doença manifesta-se através de sintomas como dificuldades em urinar, fazê-lo através de um jacto diminuído, acordar durante a noite para ir à casa de banho, sentir ardor ao urinar e, entre outros, urinar sangue.
Utilizada nos Estados Unidos da América desde 1999, esta intervenção, que é realizada através da uretra, consiste na utilização de um laser verde de 80 watts que destrói, ou "vaporiza", sem perdas de sangue, o tecido excedentário da próstata.
Até agora, acrescentou o clínico, utilizava-se a intervenção transuretral ou a clássica operação com recurso a um bisturi, através de uma incisão abdominal.
"Agora a cirurgia é menos evasiva e torna-se muito mais confortável para o doente", disse.
Adriano Pimenta salientou, contudo, que esta nova técnica não é utilizada em doentes que tenham uma próstata com um peso superior a 170 gramas.
Segundo o presidente do Conselho de Administração do HGSA, Sollari Allegro, esta técnica é "um grande auxiliar para encurtar as listas de espera", nomeadamente a de Urologia daquele hospital, que conta 150 doentes.
Os custos associados a esta nova técnica ainda não estão contabilizados, mas Sollari Allegro considera que, a longo prazo, o método implicará poupança.