Hospital Garcia de Orta nega responsabilidades na morte de Osvaldo Serrão
O Hospital Garcia de Orta, Almada, negou hoje qualquer responsabilidade na morte de Osvaldo Serrão, amigo do falecido actor da série "Morangos com Açúcar", que fora transferido sexta-feira do Hospital de Santa Maria, Lisboa, para aquela unidade.
"O hospital não teve uma atitude negligente, estamos perfeitamente tranquilos, somos apanhados com um doente transferido, que estava estável", defendeu à Lusa o presidente do conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, Álvaro de Carvalho.
O responsável acrescentou que a unidade não vai instaurar qualquer inquérito interno ao sucedido, optando por remeter as informações sobre o processo para a Inspecção-Geral de Saúde, que já anunciou a abertura de um processo de averiguações ao acompanhamento hospitalar do doente.
Osvaldo Serrão, amigo do jovem actor Francisco Adam que morreu num acidente rodoviário a 16 de Março e que com ele seguia na mesma viatura, deu entrada na urgência do Garcia de Orta por volta das 19:00 de sexta-feira, vindo a morrer às 19:00 de sábado na unidade de neurocirurgia, vítima de "uma paragem cardíaca imprevisível", segundo Álvaro de Carvalho.
A família de Osvaldo Serrão já admitiu processar o hospital de Almada por negligência, invocando o longo tempo de espera em que o doente esteve para ser atendido.
Embora reconhecendo que o paciente tinha uma "situação clínica extremamente complexa", com múltiplas lesões, o administrador hospitalar reafirmou que Osvaldo Serrão "estava estável" e que nada fazia prever o desfecho que teve.
"Foi uma morte súbita, provocada por complicações imprevisíveis. A hipótese mais provável, que só a autópsia confirmará, é que o doente sofreu uma grande embolia pulmonar que lhe causou a morte", sustentou o presidente do conselho de administração do Garcia de Orta.
O responsável explicou que Osvaldo Serrão foi transferido para a unidade de cuidados intermédios de neurocirurgia ao fim seis horas na urgência, depois de "avaliado o seu processo clínico" e "arranjada vaga" no respectivo serviço.
"O doente apareceu de repente, não havia condições logísticas para o acolher, tivemos de arranjá-las e ler o processo clínico para sabermos qual o serviço mais adequado", alegou Álvaro de Carvalho, ressalvando que o paciente não deixou de ser assistido enquanto esteve na urgência.
Questionado sobre se teria havido falta de comunicação entre as duas unidades hospitalares, o administrador respondeu indirectamente: "O ideal é que haja uma comunicação prévia, mas o Hospital de Santa Maria partiu do princípio de que o doente estava estável para o transferir".
Hoje, o Hospital de Santa Maria anunciou que irá investigar a forma como foi conduzido o processo de Osvaldo Serrão.
Em comunicado, a unidade de Lisboa garantiu que a transferência do doente para o Garcia de Orta "foi previamente acordada entre os responsáveis clínicos de ambos os hospitais, na convicção de que seria a opção que melhor corresponderia às necessidades de recuperação e convalescença do doente".
Hoje ainda, de acordo com Álvaro de Carvalho, será realizada a autópsia ao corpo de Osvaldo Serrão, seguindo "todos os elementos do processo" para a Inspecção-Geral de Saúde.
Depois do acidente rodoviário ocorrido a 16 de Março, que vitimou mortalmente o actor Francisco Adam, da série televisiva juvenil "Morangos com Açúcar", Osvaldo Serrão, que seguia no mesmo carro com o amigo, deu entrada no Hospital de Santa Maria em estado muito grave, tendo chegado a ficar em coma.
O doente esteve internado nos cuidados intensivos até à passada sexta-feira, dia em que foi transferido de ambulância para o Garcia de Orta.