Hospital Garcia de Orta único em Portugal "Amigo dos Bebés"

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, é o único em Portugal "Amigo dos Bebés", uma classificação da Organização Mundial de Saúde e da UNICEF para promover o sucesso do aleitamento materno, revelou hoje à Lusa um especialista.

Agência LUSA /

Para obter esta classificação, os estabelecimentos hospitalares têm de "ter uma política de promoção do aleitamento materno afixada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuidados de saúde".

"Há 16 hospitais que se candidataram a desenvolver acções e preparação interna do seu pessoal e serviços no sentido de se tornarem Hospitais Amigos dos Bebés", adiantou à Lusa o presidente da Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, Luís Magão, à margem da conferência "Aleitamento Materno: Um prioridade", que termina sexta- feira em Lisboa.

As candidaturas de vários hospitais e maternidades estão a ser avaliadas pela Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, adiantou Luís Magão.

Os hospitais que queiram obter este estatuto têm de "dar formação à equipa de cuidados de saúde para que implemente esta política" e "informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática do aleitamento materno".

"Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento" e "mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas dos seus filhos temporariamente" são funções a desempenhar pelos Hospitais Amigos dos Bebés.

Por outro lado, as instituições não podem dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líquido além do leite materno, a não ser que seja segundo indicação médica.

Para promover o aleitamento materno, Luís Magão considerou que tem de haver "um grande envolvimento dos profissionais de saúde, principalmente dos que contactam com a preparação para o parto, o parto e o pós-parto".

Por outro lado, acrescentou, as famílias também têm um importante papel a desempenhar, devendo ser apoiadas.

"A mãe deve ser apoiada e elucidada sobre a vantagem enorme do aleitamento materno para o seu filho e para a sociedade, até porque é indiscutivelmente mais barato do que a alimentação artificial", sustentou.

Presente na conferência, Felicity Savage, especialista em aleitamento materno do Instituto da Saúde Infantil de Londres, afirmou que muitas mulheres desistem de amamentar nos primeiros dias de vida do bebé por falta de aconselhamento.

"É preciso criar uma política de aconselhamento para os profissionais de saúde", defendeu Felicity Savage.

"Todas as mães precisam de ajuda clínica e que alguém se certifique que está tudo bem durante as duas primeiras semanas de vida do bebé", referiu.

A especialista lembrou que deve haver uma "política muito clara relativamente aos suplementos alimentares", desaconselhando ainda o uso de chupetas de forma rotineira.

Por outro lado, salientou, os profissionais de saúde têm de saber ouvir as mães e estabelecer uma empatia com elas.

"Há cada vez mais provas de que a amamentação pode proteger os bebés e que o leite artificial pode trazer alguns riscos para as crianças a nível da obesidade e de diabetes", sublinhou.

Para Luís Magão, o aconselhamento às grávidas após o parto ainda "está muito incipiente" em Portugal, apelando a um maior envolvimento da comunidade.

Actualmente, cerca de 25 por cento das mães portuguesas amamentam os filhos até ao sexto mês, seguindo as recomendações internacionais sobre o aleitamento materno.

O ministro da Saúde, António Correia de Campos, defendeu recentemente um aumento da percentagem das que amamentam até aos seis meses de modo a atingir os 50 por cento em 2010, conforme está descrito no Plano Nacional da Saúde.

Em Portugal, cerca de 90 por cento das mães iniciam o aleitamento materno, mas cerca de metade desistem de dar de mamar durante o primeiro mês de vida do bebé.

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