Hospital mantém confiança no médico acusado de homicídio negligente pelo MP
O presidente dos Hospitais CUF declarou hoje que mantém a confiança num clínico que foi acusado pelo Ministério Público de homicídio negligente durante um parto e que trabalha num dos hospitais do grupo.
O médico está a trabalhar no Hospital CUF Descobertas e a exercer o mesmo tipo de funções que tinha no Amadora-Sintra, onde ocorreram os factos pelos quais foi acusado.
Rui Raposo, presidente dos Hospitais CUF - do grupo Mello Saúde, tal como o Hospital Dr. Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) - disse à Agência Lusa que a instituição aguarda "serenamente" o resultado do julgamento.
O hospital escusou-se a maiores comentários, lembrando que até final do julgamento, o médico, tal como todos os cidadãos, é inocente.
Instado a comentar a decisão Ministério Público de ter acusado o médico de homicídio negligente, um crime punido com pena de prisão até três anos, pela sua actuação no nascimento de uma criança que morreu no parto, Rui Raposo apenas afirmou que nada está ainda provado.
"Aguardamos serenamente o resultado da investigação das instâncias competentes, nomeadamente o resultado do julgamento e do processo instaurado pela Ordem dos Médicos", disse.
Até lá "o conselho de administração da CUF Descobertas, a sua direcção clínica e a direcção do serviço de obstetrícia, a que o médico pertence, mantêm a confiança no clínico", concluiu.
O médico foi responsável pelo parto de uma criança que nasceu morta a 02 de Março de 2002, após 13 horas de um trabalho de parto que culminou na saída do bebé com recurso ao fórceps.
A criança nasceu com o crânio esmagado em virtude da "má aplicação do fórceps". Um desfecho que, segundo a investigação da Inspecção-Geral da Saúde (IGS), poderia ter sido evitado.
A família nunca se conformou e apresentou queixa no Ministério Público que decidiu agora pronunciar-se pela acusação de dois médicos.
O médico responsável pelo parto, Francisco Madeira, foi acusado da autoria material de "um crime de homicídio negligente", o qual é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
A chefe de equipa que assistiu a mãe também foi acusada da autoria material de um crime de intervenção médica com violação de leges artis (prática médica), um crime punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.