Hospital Santa Maria era referência sem quartos de isolamento, obras dão agora todas as condições

Lisboa, 29 Abr (Lusa) - O Hospital de Santa Maria é a unidade de referência das autoridades portuguesas para a área de infecciologia, mas até hoje não dispunha de quartos de isolamento e os riscos de contágio eram combatidos com algum improviso.

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O cenário foi hoje traçado pelo director do serviço de doenças infecciosas, Francisco Antunes, durante a inauguração da unidade de internamento que irá colocar o hospital ao nível "dos melhores do mundo" nesta área.

Francisco Antunes esperou 16 anos para ver concretizadas estas obras. Há anos que as reclamava, manifestando por várias vezes a sua preocupação com as condições em que os doentes e os profissionais de saúde se encontravam neste serviço.

Os riscos de contágio eram, por isso, reais e só não eram maiores porque "se improvisou, com mais trabalho dos profissionais", explicou Francisco Antunes.

O especialista em doenças infecciosas recordou que o serviço de doenças infecciosas permaneceu igual desde que foi inaugurado, nos anos 50.

Pelo meio, a comunidade médica percebeu que as doenças infecciosas não iriam acabar, como chegou a equacionar devido à existência dos antibióticos.

Pelo contrário, a sida veio mostrar que os homens e os vírus irão conviver para sempre, alertou Francisco Antunes, dando o exemplo da pneumonia atípica (SARS).

A partir de agora, e principalmente depois de construídos os seis quartos de isolamento deste serviço, um dos quais com pressão negativa para isolamento respiratório, o Hospital de Santa Maria estará "ao nível dos melhores" nesta área, garantiu Francisco Antunes.

Para trás ficam anos de degradação, resultantes de mais de meio século de existência sem qualquer intervenção.

"Tal situação não se adequava à integração" deste serviço na Rede de Referenciação Hospitalar de Infecciologia para receber doentes com patologia infecciosa, em que o risco de transmissão é elevado, como são a tuberculose, as infecções por bactérias multi-resistentes e por outros agentes, potencialmente, associados à possibilidade da ocorrência de epidemias, como foi o caso da SARS ("pneumonia atípica") e é, actualmente, a gripe associada ao vírus H5N1 e o dengue", de acordo com o hospital.

As obras, orçadas em 1,5 milhões de euros, foram suportadas (80 por cento) pela Coordenação para a Infecção por VIH.

SMM.

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