Hospital Sta Maria com marcação electrónica de consultas a partir de centros saúde
O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, iniciou a marcação electrónica de consultas hospitalares a partir dos centros de Saúde de Loures e Alvalade e espera alargar o projecto a mais quatro unidades, até ao final do ano.
A iniciativa foi anunciada cerca de uma semana depois de o Governo ter apresentado a marcação electrónica de consultas hospitalares nos centros de saúde como uma das principais medidas no âmbito da reforma do Estado e deixou o próprio ministro da Saúde surpreendido.
"Foi uma surpresa, eu não esperava. Soube-o há três dias", afirmou o ministro da Saúde, António Correia de Campos, aos jornalistas, após a cerimónia de apresentação do projecto, que hoje se iniciou a título experimental com dois dos seis centros de saúde que referenciam para o hospital lisboeta.
Através de um centro de contacto constituído no hospital, os utentes podem marcar as consultas de especialidade e alguns exames no próprio centro de saúde e depois de observados pelo seu médico de família.
Para os utentes sem médico de família, o sistema de marcação é semelhante, bastando para tal que tenham uma indicação médica para a realização da consulta de especialidade, mesmo que provenha de um clínico privado.
A confirmação da data, hora e eventuais alterações à consulta serão emitidas via mensagem escrita para o telemóvel do doente.
Adalberto Campos Fernandes, presidente do conselho de administração do hospital, pormenorizou que o sistema vai abranger inicialmente 18 especialidades médicas e que, apesar da introdução da via electrónica, se mantém a possibilidade de contacto telefónico, ou via fax, entre a unidade e os centros de saúde.
Até ao final do ano, a possibilidade de marcar consultas através dos centros de saúde vai ser alargada aos centros de saúde de Pontinha, Benfica, Lumiar e Odivelas, abrangendo cerca de 360 mil pessoas.
Maria da Graça Carneiro, directora do centro de Saúde de Alvalade, disse à Agência Lusa que esta unidade tem actualmente 35 mil doentes inscritos, 29 por cento dos quais com mais de 65 anos.
Para os utentes sem telemóvel está a ser equacionada a confirmação da consulta por contacto telefónico, mas o objectivo é que esta venha a ser feita no momento da marcação, explicou a responsável, que destacou este aspecto como essencial na diminuição do absentismo às consultas hospitalares.
A falta dos doentes às consultas nos hospitais ronda os 30 por cento, adiantou Maria da Graça Carneiro.
Também Fernando Silva, director do centro de Saúde Loures, com 72 mil doentes inscritos, dez mil dos quais sem médico de família, disse à Lusa acreditar que a marcação electrónica permitirá reduzir as faltas às consultas no hospital.