Hugo Marçal apresentou "amiga colorida", a 2ª em menos de uma semana
O arguido do processo Casa Pia Hugo Marçal a presentou hoje em tribunal uma testemunha que disse ter sido "amiga colorida" do advogado entre Janeiro e Maio de 1999 e que com ele passou quase todos os fins- de-semana desse período.
Esta é a segunda "amiga colorida" que Hugo Marçal apresenta em menos de uma semana (a primeira foi no dia 11), procurando assim rebater a acusação de q ue, nesse período, participaria em sessões de sexo com menores da Casa Pia numa casa em Elvas, pertença de Gertrudes Nunes, também arguida.
Se a primeira foi apresentada por interposta pessoa, que contou o caso extra-matrimonial como amiga de Hugo Marçal e da mulher com quem o advogado teve um relacionamento, hoje, Maria, assumiu-se na 232ª sessão do julgamento como "a miga colorida" do arguido.
Maria, contou, conheceu Hugo Marçal num "espaço lúdico" em Lisboa, no i nício de 1999 e passado pouco tempo iniciariam um relacionamento de amizade que os levou a verem-se praticamente todos os fins-de-semana até ao fim de Maio.
Questionada por Sónia Cristóvão, advogada do arguido, Maria especificou : "iniciámos uma amizade colorida até finais de Maio".
Foi devido a essa "amizade" que, disse, passaram praticamente todos os fins-de-semana juntos, em hotéis de Lisboa, no Entroncamento, onde os pais de Ma ria viviam, em Coimbra, onde o advogado estava a tirar um mestrado, ou numa casa "charmosa" em Mira, pertença de Hugo Marçal.
E os fins-de-semana que passaram juntos, explicou, começavam à sexta-fe ira à noite e só terminavam no domingo à noite ou segunda-feira de manhã.
Maria contou ainda, questionada pela advogada, que se lembrava de ter i do, nessa altura, com Hugo Marçal à Casa Pia para este responder a um cargo a qu e se tinha candidatado na Instituição, porque queria sair de Elvas, onde o seu r elacionamento com a mulher estava "numa situação de ruptura".
E Maria, porque tem "amigos importantes dentro do PS" e porque Hugo Mar çal lhe pediu, até tentou pedir ajuda para que o "amigo colorido" ficasse com o lugar, o que não conseguiu porque os seus contactos estavam indisponíveis, "até estavam no estrangeiro".
No final da audiência, a testemunha fez ainda questão de entregar ao tr ibunal um documento de um hospital para atestar que Hugo Marçal passou lá um des ses fins-de-semana.
A audição de Maria foi interrompida quando José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino, o principal arguido, começou a interroga-la.
João Aibéu, do Ministério Público, ouviu duas perguntas e interrompeu a sessão para protestar, afirmando que o que o advogado estava a fazer era contra -instância e que era o Ministério Público que devia ser o primeiro a fazer contr a-instância.
Ana Peres, que preside ao colectivo de juízes, argumentou que não, que José Maria Martins tinha direito a interrogar a testemunha, arrolada também por ele além de Sónia Cristóvão.
João Aibéu não se conformou e a sessão acabou com um requerimento do M inistério Público.
Maria volta a tribunal na quinta-feira. Mafalda, a outra "amiga colorid a", irá também proximamente contar de viva voz o seu relacionamento com o advoga do de Elvas.
A próxima sessão está marcada para quarta-feira, devendo ser ouvido o a utarca e ex-inspector da PJ Moita Flores.