IA volta a ser muito utilizada para desinformar

IA volta a ser muito utilizada para desinformar

Teorias de conspiração, negacionismo climático e a ajuda da Inteligência Artificial marcaram a desinformação e as fake news nos meses de junho e de julho. O relatório mensal do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO sigla em inglês) revela que nestes meses voltou a aumentar a percentagem de notícias falsas criadas ou manipuladas com IA. Contrariando assim a descida verificada em abril e maio.

Cristina Santos - RTP c/ Lusa / Adicionar como fonte informativa
Insaanu Studio - Unsplash

As 30 organizações da rede de verificação de factos do EDMO na União Europeia (UE) e na Noruega publicaram, em julho, um total de 1.397 artigos de verificação de factos. Nesse mês, a IA foi frequentemente utilizada para atacar figuras políticas, incluindo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A tecnologia foi também utilizada na disseminação de conteúdos anti-LGBTQ+ durante o `Pride month`.

O relatório destaca um caso em Portugal que é exemplo das narrativas de desinformação relacionadas com a imigração.
O caso da bandeira em Odemira
Uma fotografia manipulada da fachada da Câmara Municipal de Odemira foi o suficiente para alimentar as redes sociais.

Alegadamente porque a autarquia teria substituído a bandeira de Portugal para hastear bandeiras de outros países devido ao número de imigrantes. Alegadamente.

De acordo com o Polígrafo, na fotografia manipulada surgiam hasteadas as bandeiras de Bangladesh, Índia e Nepal. A legenda afirmava que a bandeira portuguesa tinha sido retirada porque os portugueses já seriam uma minoria no concelho.

A imagem e a alegação foram verificadas pelo `fact-checking`. Conclusão: a bandeira portuguesa não tinha sido substituída e o este conteúdo foi classificado como "Manipulado".

Para além deste tipo de narrativas de desinformação com grande peso, o relatório do Observatório Europeu dos Media Digitais destaca outro tema. 
Alterações climáticas e teorias de conspiração
Em julho, a desinformação sobre as alterações climáticas continuou a espalhar-se.

Por exemplo, circularam teorias sem qualquer fundamento de que os incêndios em França e Espanha não estavam relacionados com as alterações climáticas.

Os autores alegaram que os fogos teriam sido provocados para dar lugar a centrais de energia renovável ou empreendimentos imobiliários. "A proporção de notícias falsas e teorias negacionistas sobre as alterações climáticas tem aumentado", sublinha o relatório.

Ou seja, em julho "a percentagem de desinformação detetada sobre estes temas subiu três pontos, tornando-se o terceiro tema mais visado do mês".

O EDMO relaciona este crescimento com um padrão habitual dos meses de verão, marcados por ondas de calor e outros fenómenos meteorológicos extremos.

Grande parte dos conteúdos falsos identificados recorreu ao negacionismo climático e a teorias de conspiração. No entanto, também foram manipuladas imagens verdadeiras para exagerar os efeitos das temperaturas elevadas.

O documento mensal do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO na sigla em inglês) destaca que "a desinformação detetada na Europa em julho seguiu um padrão recorrente, concentrando-se em torno de acontecimentos e crises que estavam em alta nos noticiários e, consequentemente, nas plataformas de redes sociais".

Se a desinformação sobre alterações climáticas na Europa aumentou em julho, o observatório acredita que as fake news sobre a crise migratória de Ceuta vão marcar a desinformação de agosto.

O Observatório considera evidente que muitos autores de fake news e desinformação aproveitaram a situação de Ceuta. O objetivo é “semear divisões, promover o extremismo, dividir as sociedades europeias, atacar adversários políticos, entre outras ações", lê-se no relatório.

A lista de organizações sediadas na UE que contribuíram para o relatório inclui 15min, AFP, APA - Austria Press Agency, CORRECTIV, Demagog.cz, Demagog.sk, Demagog.org.pl, Delfi Lithuania, Delfi Estonia, Dpa, DW, EFE Checks, Ellinika Hoaxes, Facta/Pagella Politica, Factcheck Vlaanderen, Fact-check Cyprus, Faktograf, Funky Citizens/Factual.ro, Greece Fact Check, Infoveritas, Källkritikbyrån, Lakmusz, Maldita.es, Newtral, Ostro, Polígrafo, Re:Baltica, TjekDet, The Journal, Verificat.

Outras organizações europeias que contribuíram também para o relatório: AFP, Belarusian Investigative Center, FakeNews Tracker (fakenews.rs), Dogruluk Payi, Faktoje.al, Geofacts, Istinomer.rs, Istinomjer, hibrid.info, Metamorphosis Foundation, Myth Detector, Raskrinkavanje.ba, Teyit, VoxUkraine.

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