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IGAS aponta falhas ao planeamento na Ginecologia e Obstetricia de Almada-Seixal

IGAS aponta falhas ao planeamento na Ginecologia e Obstetricia de Almada-Seixal

O planeamento do trabalho para assegurar o serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal entre 13 de abril e 4 de maio de 2025 não foi feito de modo adequado, concluiu uma inspeção.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Antunes - RTP

O relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) sobre a organização do trabalho no serviço de urgência de Ginecologia/Obstetrícia naquele período, a que a agência Lusa teve acesso, aponta "fragilidades estruturais e operacionais no funcionamento do serviço", com um número elevado de admissões urgentes (64%).

No relatório, a IGAS questiona também a opção de algumas utentes em procurar o serviço de urgência naquele período, lembrando que mais de 50% foram encaminhadas para os cuidados de saúde primários após o episódio de urgência e uma média de 36% foram triadas na urgência como não urgentes.

A informação recolhida "levanta a questão de saber se não deveriam ter recorrido inicialmente aos cuidados de saúde primários, tendo em conta a limitada capacidade de resposta o serviço de urgência".

As urgências de Ginecologia/Obstetricia na margem sul do Tejo foram modificadas este ano, com a entrada em funcionamento, a 15 de abril, da urgência regional da Península de Setúbal. O objetivo era minimizar os constrangimentos, garantindo previsibilidade e segurança às utentes.

Neste novo modelo, a urgência centralizada passou a funcionar em dois polos: um no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

O hospital-sede desta urgência regional de ginecologia e obstetrícia é o Garcia de Orta, cabendo ao Hospital de São Bernardo assegurar o serviço de urgência para a população da sua área de influência - Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.

A IGAS refere que, no período em análise, o serviço de Ginecologia e Obstetrícia da ULS Almada-Seixal esteve encerrado mais de 60% dos dias, com atividade assegurada a prestadores de serviço e médicos internos, devido à escassez de especialistas.

Diz ainda que a ausência de diretor de serviço e a sobrecarga da diretora clínica na organização das escalas agravaram o problema.

Aponta igualmente um quadro de pessoal fragilizado, "colocando em risco a continuidade e qualidade da resposta assistencial" do serviço.

Para concluir que o serviço precisava de uma "intervenção urgente e estruturada", a IGAS aponta igualmente a dependência de tarefeiros e internos - 38% dos efetivos escalados no período analisado -, e a falta de reposição de médicos especialistas (saíram quatro médicos em 2025 e não foram substituídos).

Diz ainda que a articulação regional foi "pouco eficaz" e que havia concorrência entre unidades locais de saúde da Península de Setúbal na contratação de médicos prestadores de serviço.

A IGAS fez ainda quatro recomendações, no sentido de melhorar a organização e o planeamento do tempo de trabalho no serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia da ULS para corrigir as irregularidades apuradas relativamente aos contratos de trabalho a tempo parcial e ao planeamento e aprovação de mapa de férias.

No contraditório, a ULS informou que separou os serviços (Ginecologia e Obstetrícia), nomeou diretores de serviço e que tem promovido a contratação de recursos humanos mediante a realocação de postos de trabalho com direito a incentivos.

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