Igreja Evangélica critica dificuldades na aplicação Lei Liberdade Religiosa
Um representante da Comunidade Evangélica Portuguesa lamentou em Seia que a Lei da Liberdade Religiosa, promulgada em 2001, ainda não tenha sido "totalmente aplicada".
Segundo o pastor Jónatas Figueiredo, que falava num debate que juntou r epresentantes de quatro confissões religiosas e um elemento da comunidade dos cé pticos portugueses, "o país está a adaptar-se a uma Lei da Liberdade Religiosa q ue ainda não foi totalmente aplicada".
Em declarações à agência Lusa, referiu que "cada ser humano deve ser li vre de expressar a sua crença", mas sublinhou que, "sobretudo ao nível das regiõ es do interior do país, há barreiras que são colocadas e travam essa mesma liber dade religiosa".
Jónatas Figueiredo deu o exemplo de dificuldades no acesso a hospitais e prisões, celebração de casamentos e outros problemas relacionados com o ensino da disciplina de Religião e Moral Evangélica nas escolas.
"Ainda estamos com dificuldades na implementação da liberdade religiosa , porque acaba sempre por haver domínios, pelouros, hábitos e tradições" atribuí dos à Igreja Católica, reconheceu.
A Comunidade Evangélica manifestou-se igualmente preocupada com a celeb ração do casamento, pois segundo o pastor, neste momento "ainda não há qualquer Comunidade Evangélica que veja o casamento por ela realizado reconhecido civilme nte", o mesmo acontecendo com as restantes confissões religiosas.
Adiantou que no tocante aos casamentos "primeiro são feitos no Registo Civil e só depois é que há a cerimónia", uma vez que, exceptuando a Igreja Catól ica, "qualquer outra confissão religiosa não vê reconhecido oficialmente o acto do casamento".
"Já somos reconhecidos como Igreja, mas a burocracia é muita para nós v ermos os nossos direitos reconhecidos", admitiu.
A Lei da Liberdade Religiosa também foi comentada por Mário Mota Marque s, da Comunidade Bahái, mas ao invés de tecer críticas, afirmou que "o Estado Po rtuguês é laico, mas colabora com as liberdades religiosas".
Por sua vez, o representante da Comunidade Islâmica, Mahomed Abed, obse rvou durante o debate que "Portugal é o exemplo para o resto do mundo daquilo qu e é possível fazer em relação às diferentes confissões religiosas".
"Poucos países do mundo têm o relacionamento que nós temos cá em Portug al", admitiu, durante o debate organizado no âmbito das IX Jornadas Históricas " Atitudes Religiosas dos Portugueses", realizadas na Casa Municipal da Cultura, p or iniciativa do Arquivo Municipal de Seia.
Durante o debate falou-se também de celibato, com o cónego António Rego , representante da Igreja Católica, a assumir que "o celibato não é um dogma, é uma medida disciplinar" que, sendo alterada, "a Igreja Católica continuaria incó lume do ponto de vista orgânico e disciplinar".
"Não é por causa do celibato que a igreja não tem pastores", admitiu o sacerdote, acrescentando em tom de brincadeira: "está toda a gente a descasar e agora querem que os padres casem".
António Rego, disse ainda que em Portugal existem muitos padres casados , admitindo que "a Igreja podia utilizá-los muito melhor, ao seu serviço".
Na mesa redonda em que também participou Ludwig Krippahl, em representa ção da Comunidade dos Cépticos Portugueses, foram também abordadas questões rela cionadas com as características de cada confissão religiosa representada.
No final, num período de debate, a assistência quis ouvir a opinião dos presentes sobre temas tão diversos como o fundamentalismo religioso, Fátima, as siduidade na prática religiosa e o acesso das crianças ao ensino da religião.
Na sessão de encerramento das jornadas, que começaram na quarta-feira e contaram com a participação de especialistas que abordaram a temática das "Atit udes Religiosas dos Portugueses", foi anunciado que as X Jornadas Históricas, se rão realizadas em 2007, sob a temática "Portugal: Mitos e Representações".