Ilha da Culatra pede ao Ambiente para ter estatuto de aldeia
Faro, 19 Mar (Lusa) - A Associação de Moradores da Ilha da Culatra, Algarve, pediu ao ministro do Ambiente a elevação do núcleo piscatório a estatuto de aldeia e exigiu a proibição da venda de casas a não residentes.
O "Polis Litoral Ria Formosa" é um plano de requalificação da Ria Formosa - o mais importante património natural a Sul do País - cujo investimento total ascende a 87 milhões de euros e prevê a constituição de uma sociedade em que os Municípios de Faro, Olhão, Loulé e Tavira participam com capital social.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, Sílvia Padinha, frisou estar de acordo com o geral do programa Polis, cujo objectivo é de requalificar a Ria Formosa, mas adiantou que querem duas garantias governamentais: elevar o estatuto do núcleo piscatório (que existe desde 1841) a aldeia e proibir a venda de casas para segunda habitação.
"Queremos que o Polis clarifique o que é a segunda habitação e que se proíba a venda de casas de segunda habitação para prevenir a especulação imobiliária", mencionou Sílvia Padinha, acrescentando que também pediram ao ministro do Ambiente que a comunidade piscatória da Culatra passe a ser uma aldeia.
As propostas dos moradores daquela ilha barreira no Algarve foram lançadas terça-feira ao ministro do Ambiente, Nunes Correia, que reuniu com associações de moradores das ilhas barreira, representantes de cada partido político da Assembleia Municipal de Faro e com o próprio autarca de Faro, José Apolinário.
A reunião entre Nunes Correia, secretários de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território e Parque Expo (coordenadora do Polis), com autoridades locais de Faro foi um efeito colateral da moção apresentada pelo PSD para apoiar a adesão à entrada de Faro.
A Assembleia Municipal de Faro votou, a 13 de Março, a favor da adesão da autarquia ao programa Polis com os votos favoráveis dos socialistas, a abstenção do PSD e cinco votos contra da CDU, BE e um deputado social-democrata.
Do encontro com a comitiva ministerial, a única certeza que os farenses trouxeram foi a da criação de uma comissão de acompanhamento do programa Polis.
A comissão congregará representantes dos moradores das ilhas, associações de viveiristas e mariscadores, Assembleia Municipal, Câmara Municipal de Faro e Parque Natural da Ria Formosa.
A requalificação dos núcleos das Ilhas da Culatra e Farol (2,4 milhões de euros), a dragagem de canais, o reforço do cordão dunar e a criação de um parque ambiental no Ludo (junto à Ria Formosa) são outros projectos que somam mais de 87 milhões de euros de investimento financeiro.
Com a adesão ao Polis, Faro receberá 10 milhões de euros de fundos comunitários para a reabilitação do Parque Ribeirinho (3,5 milhões de euros), reabilitação da Praia de Faro, criação de um parque de estacionamento no acesso à Praia de Faro e beneficiação da estrada e ponte (3,4 milhões de euros).