Ilha da Madeira voltou a ser atingida pelo mau tempo

Fortes chuvas e rajadas de vento que terão ultrapassado os 100 quilómetros por hora sobressaltaram, na madrugada de segunda-feira, os habitantes da Ilha da Madeira. A intempérie não causou danos pessoais como aqueles que se verificaram em Fevereiro, mas derrubou árvores, danificou casas e fez subir ribeiras, obrigando as autoridades a condicionarem o trânsito em algumas estradas. No Funchal, uma tenda de circo caiu por terra.

RTP /
“Aqui há causas ligadas à natureza, mas há muita incompetência administrativa”, disse à Antena 1 o geógrafo Raimundo Quintal Homem de Gouveia, Lusa

Eram 3h00 quando a chuva e o vento cresceram em intensidade na Ilha da Madeira. O nível das águas nas ribeiras não tardou a subir. Na freguesia de São Roque, as rajadas derrubaram pelo menos uma árvore. Na Penteada, Funchal, a cobertura do circo Dalas não resistiu à violência da intempérie. Os estragos foram testemunhados pela repórter da Antena 1 Elma Vieira: “O vento fez quase desaparecer por completo toda aquela estrutura metálica. Não restava senão uma amálgama de ferro e entulho”.

O transbordo da Ribeira de Santa Luzia arrastou entulho e lamas para a Praça da Autonomia. Os trabalhos de limpeza foram entregues a funcionários camarários. “O trânsito foi vedado para que essas limpezas fossem efectuadas com a maior brevidade possível”, adiantou a jornalista da rádio pública.

Nas horas de maior precipitação, ocorreram inundações na Ribeira Brava. Em Câmara de Lobos, algumas derrocadas ditaram o condicionamento de estradas. Ouvido pela Antena 1, o presidente da autarquia local, Arlindo Gomes, deu conta de algumas habitações atingidas. Pelo menos três pessoas ficaram feridas sem gravidade.

"A zona mais crítica é a de Curral das Freiras, onde algumas habitações foram atingidas e existem algumas pessoas feridas. Há zonas de acesso que estão interditas e com muito entulho, especialmente na zona da Capela", indicou o autarca. "Falaram-me em três pessoas feridas. Não tenho ainda dados definitivos, mas ainda há pouco estive a falar com o senhor presidente da Junta. Penso que não são situações muito graves", acrescentou.

“Incompetência administrativa”

Em declarações à Antena 1, o geógrafo Raimundo Quintal atribuiu a repetição das situações de transbordo da Ribeira de Santa Luzia à “incompetência de quem anda a gerir o litoral da Madeira”: “Teimam em deixar este aterro aqui e isto é uma negociata. Sistematicamente, tira-se rocha, é deitada no aterro e depois o aterro é levado para o mar e isso é uma constante”.

“Aqui há causas ligadas à natureza, mas há muita incompetência administrativa”, denunciou.

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, rejeita as críticas e argumenta que o transbordo resultou da intensidade da chuva. “Nós tivemos, às duas da manhã, 23 litros por metro quadrado no Arieiro. Depois, às quatro choveu, também no Arieiro, 22 litros por metro quadrado, às seis da manhã 21 litros e às sete 22. Isso fez com que a carga, sobretudo aqui na Ribeira de Santa Luzia, viesse muito forte e transbordou aqui ao pé da Praça da Autonomia”, explicou o autarca.

Aviso amarelo
O Instituto de Meteorologia mantinha, esta manhã, o arquipélago da Madeira sob aviso amarelo, com base nas previsões de céu muito nublado e períodos de chuva ou aguaceiros, sobretudo nas zonas montanhosas. Os meteorologistas previam também vento fraco a moderado, na ordem dos 15 a 30 quilómetros por hora, e rajadas de 90 quilómetros nas terras altas.

Quanto ao estado do mar, o Instituto fazia a previsão de ondas de noroeste com dois a três metros na costa Norte e de sudoeste, com 2,5 a 3,5 metros, na costa Sul. Em directo para o Bom Dia Portugal, ao telefone, o jornalista da RTP David Fernandes relatou “sinais de melhoria” nas condições climatéricas, apesar de persistir “algum vento”.

O aviso amarelo, o menos grave numa escala de três, aplica-se a situações de risco para determinadas actividades dependentes do estado do tempo.
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