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iMed Conference: estudantes, médicos e investigadores a olhar para o futuro da Medicina

iMed Conference: estudantes, médicos e investigadores a olhar para o futuro da Medicina

Alunos, médicos e investigadores olham em conjunto para a investigação e para o futuro da Medicina nas próximas décadas. O evento decorre entre esta quinta-feira e domingo no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Andreia Martins - RTP /
Foto: iMed Conference

Quando os trabalhos da iMed Conference 8.0 arrancarem esta quinta-feira, dia 13 de outubro, já os esforços para preparar a próxima edição terão começado. Os alunos começam a planear o evento “com mais de um ano de antecedência”, diz-nos Inês Coelho Rodrigues, aluna do 5.º ano de Medicina, na Nova Medical School, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. 

Este ano, o mote escolhido é “Looking Further”. São alunos, os nossos médicos do futuro, que procuram olhar para a investigação e as práticas clínicas que se avizinham nas próximas décadas.

Para a organização desta conferência, os alunos contam com o apoio do Governo, através do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, bem como várias farmacêuticas e empresas na área da saúde. 

Mas o núcleo duro de todo o trabalho, esse, é dos alunos. O evento é organizado na Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM – UNL), que reúne exclusivamente alunos de Medicina, 23 ao todo. 

O profissionalismo é uma meta constante. Por isso, é bem palpável o ambiente atarefado na pequena sede da associação estudantil, mesmo junto à faculdade, onde decorre a nossa conversa com Inês Coelho Rodrigues.

“Dentro do que são as nossas limitações, o nosso objetivo é fazer um bom uso do nosso tempo e das nossas capacidades. Queremos ser cada vez mais profissionais na forma como trabalhamos e tentamos que isso transpareça na forma como o congresso de apresenta”, diz-nos a responsável pela organização.
Belém, a nova morada da conferência
Inês é simultaneamente aluna e presidente da Comissão Organizadora da conferência, mas não se queixa da falta de tempo que lhe rouba este compromisso: “Para nós, o iMed Conference é um dos melhores projetos de divulgação médica para estudantes a nível europeu e por isso é que nós temos esta entrega”. 

Uma dedicação que ultrapassa as barreiras da própria faculdade, verificável pelo crescimento da audiência e as sucessivas mudanças de espaço. “O iMed Conference iniciou-se como uma conferência apenas para os alunos da faculdade, um evento que decorria num dos nossos auditórios principais até à quarta edição”. 

“Mas no quinto congresso tivemos um momento de grande expansão. Vieram estudantes de Medicina de todo o país e não cabiam todos aqui. O congresso mudou-se para o auditório da Reitoria da Universidade Nova”, explica-nos a responsável.

No entanto, essa mudança não foi suficiente e conheceu uma nova morada em 2015. “Passámos para o CCB no ano passado e consideramos que essa experiência teve grande sucesso e foi bem assimilada pelos participantes”, acrescenta. 


O evento decorreu em Belém pela primeira vez no ano passado.


Desta edição em particular, a responsável da organização destaca a qualidade dos oradores, um leque que inclui o Prémio Nobel da Medicina em 1989, o Dr. Michael Bishop, que se destacou pelas descobertas no campo da oncologia, e ainda um prémio Lasker, Roy Caine, que fez o primeiro transplante hepático bem-sucedido em todo o mundo, logo em 1987, e com quem tivemos a oportunidade de falar via e-mail.
Encruzilhada de conhecimentos
Todos os anos, a conferência dedica especial atenção a quatro determinadas especialidades, com blocos de palestras sobre as mesmas, de forma a agradar a todos e a dar atenção a temas que são de grande importância para o futuro da medicina. Todos os anos são diferentes. 

Em 2016, destacam-se a Oncologia, a Psiquiatria, Neonatologia e Ageing, ou as novas teorias do envelhecimento.

O programa completo sugere-nos, por exemplo, várias sessões sobre a intervenção e diagnóstico e tratamento do feto, as associações entre as doenças do foro mental e as bases genéticas, bem como as infeções, os tratamentos mais inovadores e arriscados na eliminação do cancro, e ainda sobre áreas da gerontologia, com especial foco nos pacientes com Alzheimer e na recuperação de doentes pós-AVC.

A conferência é especialmente dirigida a outros alunos que estudem ciências da saúde e ciências da vida, biotecnologias, bioengenharias, mas também pode interessar ao público em geral:

“Os estudantes destas áreas vão ter uma maior facilidade em compreender todos os temas que nós abordamos, mas o nosso principal objetivo é inspirar a que haja investigação e superação das barreiras do conhecimento. Portanto, qualquer pessoa vinda de outras áreas que tenha uma mente aberta e se interesse é bem-vinda”.
Ébola, bolsas de investigação e Dr. House
A primeira palestra, logo na sexta-feira, é um dos momentos mais aguardados dos quatro dias da conferência e versa sobre um assunto que recentemente marcou a atualidade. 

“Um orador que vai deixar as pessoas bastantes curiosas é Gilles Van Cutsem, que é dos Médicos Sem Fronteiras e foi uma das pessoas que geriu a crise do Ébola no terreno. Ele vem falar de um acontecimento que para nós é muito importante”, diz-nos a representante da conferência

Além das palestras, a conferência atribui também diversos prémios de investigação, incluindo quatro bolsas no valor de 12 mil euros.

Entre as oportunidades disponíveis a todos os que participem, a iMed Conference conta também com um desafio clínico – o Clinical Mind - que dá direito a um estágio clínico de duas semanas em São Tomé e Príncipe a quem conseguir resolver um caso clínico criado pela doutora Lisa Sanders, que foi a médica revisora dos casos na série House M.D.


A vertente prática é muito valorizada na preparação da conferência.

No programa de quatro dias está também o Research Challenge, onde o objetivo é facilitar a atividade de investigação de vários estudantes e proporcionar oportunidades de estágio com um dos oradores de edições anteriores num país europeu.

Uma aposta dos organizadores é também a nanotecnologia aplicada e os nanofármacos, incluídas nas iMed Sessions, incluindo, por exemplo, uma palestra com o holandês Bom H. Verweij, cuja equipa realizou o primeiro transplante de crânio com uso da impressão 3D, em 2014.

“Acreditamos que uma iMed Session de hoje será rotina médica daqui por 20 anos”, diz a organizadora. 
“Não queremos trazer papers
Ao contrário de outras conferências, o objetivo do iMed não é "trazer papers” nem dados de puros. “É sobretudo trazer histórias que inspirem os novos médicos e investigadores. Ano após ano vemos cada vez mais estudantes que querem integrar a investigação, o que nos motiva é chegar ao fim e ver que temos oitocentos estudantes que estão a conseguir aproveitar estes quatro dias e que isso vai ter uma repercussão no seu futuro”.
 


A jovem estudante que se prepara para ser médica participa há vários anos nesta conferência e guarda muitas histórias e experiências destes dias de aprendizagem. Mas há uma que guarda com especial carinho: “No ano passado, troquei de cabo USB com Tim Hunt, o prémio Nobel que esteve cá. Foi complicado porque depois o cabo acabou por ficar nas mãos de outro orador, que passou a outros colegas e depois enviou-mo por correio. Acabamos por criar uma rede de oradores, que acabam mesmo por ficar amigos fora da conferência”. 

Com a participação de alunos vindos de vários pontos da Europa, torna-se igualmente importante, a par das memórias e dos momentos de convívio, a extensa rede de contactos que se cria com este tipo de eventos, como conclui a estudante Inês Coelho Rodrigues: “A medicina é cada vez mais internacional. Temos de criar essas redes de forma a conseguirmos perceber, no futuro, onde vai estar a pessoa certa e de quem vamos precisar”.   
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