Imigrantes também rezam em Roma pelo Papa que os defende
A estátua dos imigrantes na Praça de São Pedro, em Roma, é um dos pontos turísticos de quem visita o Vaticano e a comoção de alguns é visível, quando olham para a balsa de bronze cheia de figuras humanas.
"Eu não vim de barco, mas fui ilegal muitos anos", afirma o colombiano Juan Córdoba, que vive em Espanha há muitos anos.
"Este é o nosso Papa, o Papa dos imigrantes", afirma o pedreiro, que reside em Burgos e está por estes dias em visita a Roma, sempre a "pensar na saúde" de Francisco, internado desde o dia 14 com uma pneumonia bilateral.
"Rezo muito. Voltei a rezar também por causa dele", diz.
O discurso do chefe dos católicos, no poder há quase 12 anos, tem sido muito focado nos imigrantes, incluindo várias visitas a pontos de chegadas, como a ilha de Lampedusa, num apelo à abertura cristã dos países mais ricos em relação aos mais pobres.
Ainda na mensagem quaresmal divulgada na terça-feira, Francisco apelou aos católicos do mundo inteiro que se confrontem com a "realidade concreta de algum migrante ou peregrino", para se tornarem melhores cristãos.
"Não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos", escreve Francisco.
Por isso, ao final do dia de hoje, Juan Córdoba decidiu rezar o terço junto à estátua "Angels Unawares", do canadiano Timothy P. Schmalz, que foi colocada por Francisco há dois anos em plena Praça de São Pedro, para recordar aos crentes a fragilidade da vida dos imigrantes.
A estátua em bronze retrata uma barcaça cheia de pessoas a pedir auxílio, numa evocação das travessias do Mediterrâneo.
A poucos metros, utilizando o telemóvel para ver, através do QR Code, mais sobre a estátua, a líbia Alami destoa, com um lenço berbere sobre a cabeça.
"Já não ligo à religião", explica a jovem, criada por pais muçulmanos em Tripoli que veio para Itália há dois anos atrás do marido.
"Ele veio como estes aqui, num barco como este. Este retrato da miséria é real. Só sabe a sério quem a viveu", explica a funcionária de uma loja de conveniência de Roma, apontando para a estátua.
Alami não reza mas também não diz que não acredita num Deus específico.
"É uma coisa pessoal", afirma.
Contudo, os seus pensamentos estão com Francisco, numa cama da clínica Gemelli, a alguns quilómetros daquele local.
"Era importante ele sobreviver. Ele é um bom homem, que faz muito por todos nós, porque diz as coisas certas", resume.
As notícias da clínica parecem confirmar os prognósticos. Segundo o Vaticano, o Papa Francisco voltou a ter uma noite tranquila, apesar de se manter em estado crítico.
Na terça-feira, o Vaticano indicou que as condições clínicas do Papa permanecem críticas, mas estáveis e que não se registaram episódios respiratórios agudos.