Inauguração da "Escultura de Rede" encerra Polis
A sociedade Polis de Matosinhos marcou hoje o encerramento da sua actividade, um ano e meio depois do inicialmente previsto, com a inauguração na Praça Cidade S. Salvador da "Escultura de Rede", da artista norte-americana Janet Echelman.
O presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, comparou a polémica em torno da estética desta obra à que se gerou aquando da construção, há mais de uma década, do edifício dos Paços do Concelho, mas sublinhou que em ambos os casos a apreciação final foi de elogios consensuais.
"Basta lembrarmo-nos do que tínhamos aqui e o que temos agora", disse Narciso Miranda, agradecendo "todo o esforço" da sociedade Polis Matosinhos, designadamente na requalificação da Marginal Sul.
A "Escultura de Rede", que custou 800 mil euros, assemelha-se a uma anémona, sendo composta por três grandes postes, um deles com cerca de 60 metros de altura, e uma rede vermelha e branca (suspensa num anel com 42 metros de diâmetro), que "dança" ao sabor do vento.
O vice-presidente da autarquia, Guilherme Pinto, atribuiu ao arco que segura a rede da escultura o simbolismo de um "anel de noivado com o Porto", desejando que as duas cidades encontrem soluções conjuntas para dar nova vida à Estrada da Circunvalação, que divide os dois concelhos.
A Polis de Matosinhos SA tem o fim oficial marcado para dia 31, mas permanece o impasse sobre uma dívida de mais de 2,4 milhões de euros do Estado à autarquia, acrescida de mais 1,5 milhões relativos a financiamentos comunitários.
Em declarações à Lusa, Manuel Pinheiro Torres, vogal do Conselho de Administração da Polis e gestor do projecto, afirmou que a dívida persiste desde 2003 e o assunto deverá ser abordado na assembleia-geral de dissolução da sociedade, agendada para as 11:00 de segunda-feira.
Apesar desta indefinição, o Programa Polis chega ao anunciado fim deixando no concelho um conjunto de projectos, executados com atrasos, representando um investimento de 20 milhões de euros.
Esta verba foi comparticipada em 75 por cento por fundos comunitários, sendo o montante restante suportado pelos accionistas da Polis (40 por cento Câmara de Matosinhos, 60 por cento Estado).
A principal obra do programa, a requalificação da Marginal de Matosinhos Sul, da autoria do arquitecto Souto Moura, deu ao concelho um espaço privilegiado de lazer junto ao mar, cujas enchentes são comuns em fins-de-semana solarengos.
Integrado neste projecto, a zona marítima passou a contar com um parque de estacionamento subterrâneo, com capacidade para 250 lugares.
Souto Moura projectou também equipamentos de apoio às praias daquela marginal, nomeadamente dois restaurantes, empreitadas que, segundo Pinheiro Torres, "ficaram de fora e passaram para as mãos da autarquia".
O programa Polis englobou ainda o arranjo da envolvente do monumento do Senhor do Padrão, a construção do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental e a renovação da Praça Cidade São Salvador, que liga Matosinhos ao Porto.
Uma das questões da requalificação da frente marítima que fica "encravada" prende-se com o restaurante Proa, considerado um "objecto estranho" na estética da obra concretizada no âmbito do programa.
Em Agosto de 2003, Narciso Miranda referiu que a requalificação do edifício do restaurante estava dependente da aceitação prévia dos seus proprietários.
A Polis permitiu ainda realizar o projecto de execução de uma piscina para Matosinhos/Sul, bem como um "estudo de avaliação" do quarteirão da fábrica de vinhos "Ponto Final", que a Câmara pretende demolir para aí construir um jardim.
Pinheiro Torres salientou, no entanto, que a zona do quarteirão nunca foi incluída na área de intervenção do Polis/Matosinhos.
Inicialmente, o prazo de vida da Polis de Matosinhos foi determinado por decreto-lei para 30 de Junho de 2003, sendo depois prorrogado para 31 de Dezembro de 2004.
A liquidação da sociedade deverá ocorrer nos três primeiros meses de 2005, se neste período for encontrada solução para as dívidas.