Inauguração da Linha Amarela conclui primeira fase da rede
A primeira fase da construção da rede do Metro do Porto é concluída hoje, com a entrada em serviço da Linha Amarela, ligando Gaia e Porto, os concelhos mais populosos do sistema, com cerca de 544.000 habitantes.
Com esta nova linha, a rede do Metro do Porto passa a ter cerca de 35 quilómetros de extensão, quatro linhas e 44 estações em operação (sendo 12 subterrâneas), abrangendo os mais quatro mais populosos concelhos da Área Metropolitana - Porto, Matosinhos, Maia e Gaia.
A Linha Amarela, que servirá 40 mil clientes por dia (11 milhões por ano, representa um investimento global de 282 milhões de euros, dos quais 128 milhões foram para a via e estações de superfície e 154 milhões para as estações subterrâneas.
O traçado desta linha liga o Norte do Porto ao sul do casco urbano de Gaia, cruzando com a Linha Azul (que liga o extremo ocidental ao extremo oriental do Porto) na estação da Trindade, que se torna assim no "coração" da rede, com os seus dois níveis e vários acessos.
A Linha Amarela faz entrar no sistema alguns dos principais pólos de deslocações pendulares da Área Metropolitana do Porto, nomeadamente o Hospital de São João, o Instituto Politécnico do Porto, o Instituto Português de Oncologia (IPO/Porto), todo o Pólo Universitário da Asprela (que, por si só, movimenta diariamente mais de 30 mil pessoas).
Servirá também o centro da freguesia de Paranhos (a maior da cidade do Porto), a zona das Antas e a Rua de Costa Cabral, a Praça do Marquês, as ruas de Camões, Fonseca Cardoso e Faria Guimarães e toda a "Baixa" do Porto (através das estações da Trindade, dos Aliados e de S. Bento).
Inclui ainda a ligação com duas importantes estações da CP (S.
Bento e General Torres) e o significativo pólo de comércio e serviços que é a Avenida da República, em Gaia.
Na Estação da Trindade, a Linha Amarela (D) faz interface com todas as restantes linhas do Sistema: a Azul (A), a Vermelha (B), a Verde (C) e também com a futura Linha Violeta (E), que servirá o Aeroporto Internacional Dr. Francisco Sá Carneiro.
Como todas as linhas do Metro do Porto, a Linha Amarela está totalmente construída em via dupla, apresentando uma distância média entre estações na ordem dos 600 metros.
A Linha Amarela conta com oito estações subterrâneas (Pólo Universitário, Salgueiros, Combatentes, Marquês, Faria Guimarães, Trindade, Aliados e S. Bento, todas no Porto), sendo as restantes três (Jardim do Morro, General Torres e Câmara de Gaia) situadas em Gaia à superfície.
Todas as estações subterrâneas foram construídas em simultâneo, entre Maio de 2002 e Setembro de 2005.
Grande parte dos 5,7 km de traçado da Linha Amarela desenvolve- se em túnel, desde o Salgueiros até à Ponte Luiz I, num comprimento total de 3,7 km.
Todas as estações constituíram empreitadas tecnicamente complexas, pela profundidade e pelo volume das escavações efectuadas, pela inovação dos métodos construtivos empregues e, sobretudo, pela delicadeza inerente ao facto de se inserirem, na sua maioria, no Centro Histórico do Porto.
A construção desta linha incluiu também a reconversão completa da centenária Ponte Luiz I, que teve que ser adaptada à circulação de composições ferroviárias.
Esta obra contemplou a substituição de todos os componentes da Ponte que se encontravam em adiantado estado de degradação, pelo que cerca de 60 por cento da estrutura foi substituída, tendo toda a restante sido beneficiada, modernizada e reforçada.
Envolveu ainda o alargamento do tabuleiro superior da ponte para permitir o seu atravessamento pedonal em melhores condições, pelo que os passeios têm agora 1,7 metros de largura.
Além da intervenção em curso na zona envolvente ao Pólo Universitário da Asprela e do Hospital de S. João, a construção desta linha envolveu uma profunda intervenção de requalificação urbanística executada em Gaia.
Esta intervenção incluiu a construção de uma nova travessia sobre o Rio Douro, a Ponte do Infante, que serve de alternativa à circulação rodoviária entre o Porto e Gaia, e contribuiu para a construção da VL9, uma via paralela à Avenida da República de ligação entre a própria Ponte do Infante e a Estrada Nacional 222.
Nesta fase, a operação do Metro do Porto na Linha Amarela processa-se entre as estações do Pólo Universitário e da Câmara de Gaia, ficando de fora as ligações entre a Câmara de Gaia e Santo Ovídio e Laborim, a Sul, e entre a estação Pólo Universitário e o Hospital de S. João, a Norte.
Estas ligações não estão terminadas por motivos exteriores à planificação da obra e deverão estar concluídas nos próximos seis meses.
Os quase seis quilómetros de extensão da Linha Amarela (correspondentes ao troço que agora entra em operação), são percorridos, incluindo o tempo de paragem em cada estação, em menos de 15 minutos.
PF.
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