Infarmed alerta para aumento do risco de problemas cardiacos do Celebrex
Um estudo clínico realizado em doentes que tomam o anti-inflamatório Celebrex indica que o medicamento duplica o risco de acidentes cardiovasculares graves, "fatais e não fatais", alertou hoje o Instituto Nacional de Farmácia e do Medicamento (Infarmed).
O aumento de risco de eventos cardiovasculares graves parece ser dependente da dose, "com um aumento de 2,5 vezes com a dose mais baixa (400mg), comparado com os doentes a fazer placebo [medicamento inerte ministrado com fins sugestivos], e de 3,4 vezes com a dose mais alta (800mg)", explica o Infarmed.
A nota informativa do Infarmed, enviada à Agência Lusa, surge na sequência de um aviso do laboratório multinacional Pfizer, produtor do medicamento, que hoje anunciou que aquele anti-inflamatório aumentava o risco de problemas cardíacos nos doentes.
A empresa afirma que este estudo contraria um outro, em que não se observava qualquer aumento do risco de ataques cardíacos, mas garante que irá analisar em profundidade os resultados agora divulgados, para informar as entidades reguladoras, médicos e doentes que utilizam o seu medicamento em todo o mundo O Celebrex é do mesmo tipo que o Vioxx, medicamento da farmacêutica Merck retirado do mercado no passado mês de Setembro pelos mesmos motivos.
"A Agência Europeia do Medicamento (EMEA) foi informada pela companhia farmacêutica Pfizer sobre os resultados de um estudo clínico, os quais revelaram um aumento do risco de eventos cardiovasculares graves, fatais e não fatais (tais como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral), em doentes tratados com celecoxib, comparativamente com doentes tratados com placebo", lê-se no comunicado do Infarmed.
O Infarmed explica que o estudo, realizado pelo Instituto Nacional do Cancro norte-americano, envolveu 2.400 doentes e teve a duração média de 33 meses de tratamento, com doses de 400 e 800 miligramas de celecoxib por dia.
Este instituto norte-americano decidiu unilateralmente suspender a utilização do medicamento.
O anúncio da Pfizer, a maior farmacêutica do mundo, atirou as suas acções para a maior queda diária desde 1987, apesar de a empresa não ter anunciado a retirada do seu produto do mercado.