Início do pagamento de portagens na Via do Infante é "dia triste na história recente do Algarve", diz Mendes Bota
Faro, 08 dez (Lusa) -- O deputado do PSD eleito pelo círculo do Algarve, Mendes Bota, considerou que a entrada em vigor do pagamento de portagens na Via do Infante (A22), hoje, às 00:00, fez desta data "um dia triste na história do Algarve recente".
Numa declaração enviada à Lusa, o parlamentar do PSD disse que "os interesses vitais da região não foram tidos em consideração" e apelou para se "olhar de forma redobrada para a evolução dos índices de sinistralidade, de fluidez de tráfego, do impacto na atividade económica e do grau de execução das obras de requalificação da Estrada Nacional 125".
Mendes Bota sublinhou que a Estrada Nacional 125, que é a única via alternativa à A22, é a "esperança última de atenuação das consequências negativas" provocadas pela introdução de portagens, hoje consumada na SCUT do Algarve, mas também na A23 (Beira Interior), na A24 (Interior Norte) e na A25 (Beira Litoral/Beira Alta).
O deputado social-democrata considerou "evidente a necessidade de uma reforma do sistema eleitoral" para "reforçar a autonomia dos parlamentares eleitos" num "sistema centralista que ignora e maltrata regiões como o Algarve".
Apontou "o descalabro financeiro do país, sobretudo nos últimos seis anos (Governo PS), que conduziram a esta situação desesperada de rapar o fundo do tacho à procura de receitas para o Estado".
Mendes Bota foi um dos políticos regionais caricaturados na quarta-feira durante o protesto realizado por cerca de uma dezena de elementos do movimento anti-portagens na Via do Infante (A22) e que simulou o enterro do desenvolvimento económico no Algarve, numa das principais entradas de Faro.
Na véspera do início da cobrança de portagens na autoestrada do Algarve, os manifestantes da Comissão de Utentes da Via do Infante e de outros movimentos anti-portagens utilizaram máscaras de políticos nacionais e regionais que consideraram ser "os grandes responsáveis" por uma medida que irá "provocar mais desemprego, mais falência e mais crise" na região.
O antigo primeiro-ministro José Sócrates, o Presidente da República, Cavaco Silva, o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ou os deputados algarvios Miguel Freitas (PS) e Mendes Bota (PSD) e o presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, foram alguns dos políticos caricaturados no protesto.
Os manifestantes realizaram um enterro simbólico com um caixão em forma de mapa do Algarve, enquanto utilizavam as máscaras dos políticos, que João Vasconcelos, da Comissão de Utentes da Via do Infante, disse serem "os grandes responsáveis pelo enterro do Algarve".
Mendes Bota e Miguel Freitas foram acusados por João Vasconcelos de "terem virado as costas aos algarvios" durante as ações de luta contra a intenção do governo de portajar a Via do Infante, "uma vez que afirmaram a sua oposição à medida, mas depois ficaram em silêncio e não apoiaram as propostas apresentadas no parlamento para suspender o processo".
Um dia depois, o deputado social-democrata coloca o dia de hoje como um dos "mais tristes da história do Algarve recente".