Inquéritos telefónicos impedem comparações no desemprego

O Instituto Nacional de Estatística (INE) vai começar a realizar os inquéritos ao emprego por telefone. Esta alteração no método de recolha dos dados visa facilitar o contacto com as famílias e harmonizar procedimentos com os países europeus, justifica o INE. Com a mudança, deixará de ser possível comparar as estatísticas com períodos homólogos dos últimos anos 12 anos. A CGTP considera que é uma opção política e aponta falta de transparência.

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A mudança de método de recolha de dados vai impedir comparações com os últimos 12 anos RTP

“É evidente que, desde logo, está relacionado com uma opção política e provavelmente esta tem também uma relação direta com a necessidade de condicionar que essas mesmas comparações venham a ser feitas nos próximos tempos, tendo presente que, tal como tudo indica, o desemprego vai aumentar em Portugal”, comenta Arménio Carlos.

O representante da CGTP alude ao facto de o novo método tornar impossível a comparação com as estimativas realizadas entre o primeiro trimestre de 1998 e o último de 2010.

Arménio Carlos considera tratar-se de “uma medida errada e, neste caso, como em todos os que têm a ver com a vida política, económica e social, a transparência e a ética são questões de princípio que importa preservar”.

O INE explica no seu site os motivos para a adoção do método de recolha de dados por telefone, designado Computer Assisted Telephone Interviewing (CATI), a partir de janeiro.

O gabinete de estatísticas argumenta que este modo de obtenção de dados das famílias portuguesas, que serão depois trabalhados para construir as estimativas em relação ao emprego respeita o ritmo de vida atual. O facto de as famílias terem menos elementos permanentemente em casa e o maior sentimento de insegurança em receber os entrevistadores em casa "tem criado algumas dificuldades na obtenção da colaboração (...) através de contacto presencial", acrescenta o INE.

Por outro lado, a recolha telefónica de informação para a produção de estatísticas oficiais "é ainda algo incipiente", mas é necessário "intensificá-la para acompanhar os padrões europeus", justifica.

A divulgação das primeiras estatísticas feitas através do novo método será a 18 de maio e visa o mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano.
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