inspector relata jantar de lampreia entre dirigentes do Gondomar e árbitros
Gondomar, 21 Fev (Lusa) - O inspector Jorge Melo, da PJ/Porto, descreveu hoje ao Tribunal de Gondomar o jantar que presenciou entre os dirigentes do Gondomar Sport Clube, José Luis Oliveira e Castro Neves, e os árbitros Licínio Santos e Pedro Sanhudo.
De acordo com Jorge Melo, ouvido na condição de testemunha do processo "Apito Dourado", o jantar ocorreu no restaurante "Margem Douro", a 11 de Janeiro de 2004, após o jogo entre o Gondomar e o Infesta.
Durante esta diligência externa, levada a cabo na sequência das escutas realizadas, o inspector confirmou ter ouvido os empregados dizer que, segundo indicação do Sr.Manuel, "aqueles senhores não pagam nada".
O inspector Jorge Melo, que se recorda de mais duas pessoas na mesa, entretanto identificadas como os auxiliares de Licínio Santos, referiu ainda que o restaurante é tido como caro e que terão comido lampreia.
"Eu e o meu colega durante a vigilância, durante mais de duas horas, comemos apenas as entradas", adiantou o inspector Jorge Melo, comentário que foi acolhido com alguns sorrisos pelos presentes no Tribunal.
Jorge Melo esteve ainda envolvido na observação no terreno de vários jogos em que participou o Gondomar Sport Clube, nomeadamente com o Trofense, Sporting de Braga "B", FC Porto "B", Vizela, Infesta e Paredes.
O jogo com o Vizela foi um dos que esteve em foco durante a inquirição a Jorge Melo, uma vez que o relatório de especialistas contraria um dos relatórios da equipa da PJ relativamente a uma expulsão.
Segundo Jorge Melo a expulsão de um jogador do Vizela "por um empurrão" a um atleta do Gondomar terá sido "excessiva", mas o relatório de especialistas apontam para um murro devidamente sancionado.
Jorge Melo relatou ainda, "dentro dos limites impostos pela sua memória", alguns lances que presenciou durante as partidas que observou, mas admitiu também o seu conhecimento empírico e não especializado em matérias de futebol.
O inspector recordou que as diligências externas visavam verificar se existiam "anormalidade às leis de jogo" e apontou, na derrota com o Paredes, "uma arbitragem fraca que terá prejudicado o Gondomar".
O processo "Apito Dourado", que incluiu investigações a alegados casos de corrupção e tráfico de influências no futebol profissional português, foi desencadeado a 20 de Abril de 2004, com a detenção para interrogatória de vários dirigentes e árbitros.
APS.