País
Estudantes bloqueiam duas escolas em Lisboa
A Escola Artística António Arroio e a Escola Secundária de Camões, em Lisboa, têm estado com as entradas bloqueadas esta manhã. O protesto promovido pelos movimentos Chumbado.PT e Estudantes pelo Fim ao Fóssil destaca os problemas na habitação e no clima, assumindo inspiração mas manifestações estudantis no estrangeiro e nos acampamentos em Portugal.
Matilde Ventura, que faz parte do coletivo Estudantes pelo Fim ao Fóssil e está na Escola António Arroio, explicou à RTP Antena 1 que estão desde bem cedo nos dois locais, antes da abertura das escolas.
"Neste momento, o Governo está a colocar o lucro acima da educação, acima da habitação e nem sequer está a pensar em garantir uma transição energética que garanta as condições materiais para a nossa vida", defende.
A representante do movimento aponta que as "as escolas estão a ser bloqueadas desde muito cedo", destacando "por todo o lado cadeados, correntes e muitas faixas" com "muitos estudantes em todos os portões e também muitos professores a apoiar".
Em declarações à RTP Antena 1 no Liceu Camões, Francisco Pureza, do movimento Estudantes pelo Fim ao Fóssil, diz que estão no local desde por volta das 3h30. "Viemos protestar contra o Governo que mete o lucro acima das pessoas", afirmou. Já o diretor da escola, Ricardo Frias, assumiu que às 12 horas a escola seria reaberta, não deixando de mostrar compreensão pelos motivos do protesto.
A rádio pública constatou que, já depois das 11 horas, o protesto tinha terminado porque os estudantes começaram a desmobilizar.
Noticiário das 11 horas | Reportagem de Alexandra Sofia Costa - RTP Antena 1
Já na Escola António Arroio, os alunos chegaram por volta das 5 horas. "O Governo não nos está a ouvir" nas questões climáticas, descreve Ana Lua, mas aponta que a luta se estende à habitação e ao fim das guerras. Por volta das 11 horas, ainda não existia nesta escola uma perspetiva para o fim da manifestação. Há elementos da PSP próximos da escola que acompanham o bloqueio, à distância.
Notícias 11 | Reportagem de João Costa Campos - RTP
Mudanças na educação e na transição climática
Sobre os motivos do protesto, Matilde Ventura aponta que "por todo o mundo os estudantes estão a manifestar-se, a liderar movimentos absolutamente massivos" e que "esses estudantes cá em Portugal também são inspirados pelas acampadas" do Porto e de Lisboa.
Questionada pela RTP Antena 1 sobre se se inspiram também especificamente nos protestos em França, que começaram como um movimento estudantil a exigir melhorias nas escolas mas que teve uma escalada violenta, Matilde Ventura não respondeu diretamente. Disse antes que "somos inspirados por estarmos a ver o povo a levantar-se", tanto no estrangeiro, como em Portugal.
Em comunicado enviado às redações, os dois movimentos assumem que se uniram "para exigir futuro". Com o mote "Ocupamos as ruas para exigir habitação, ocuparemos as escolas para exigir educação", os coletivos de estudantes querem "mudanças a nível educacional, como a remodelação de escolas, aumento do investimento em educação, garantia de professores e justas condições de acesso ao ensino superior, mas também a nível climático e internacional, exigindo o fim do investimento na guerra, que ocorre em detrimento dos investimentos em transição energética".