Instituição de Bragança vai dar apoio a famílias de idosos com demências

Bragança, 02 (Lusa) -- As famílias de Bragança que tem a seu cargo idosos com demências vão ter apoio de uma equipa da Fundação Betânia que, a partir de março, vai deslocar-se a casa dos cuidadores.

Lusa /

O programa arrancará na Semana do Idoso e tem como propósito atenuar a falta de respostas institucionais numa região envelhecida em que a prevalência de demências, como a doença de Alzeimer, é cada vez maior, como explicou à Lusa a diretora da Fundação Betânia, Paula Pimentel.

Segundo adiantou, o trabalho da equipa multidisciplinar, composta por profissionais da instituição católica que acolhe idosos, será sinalizar, sensibilizar e dar formação e apoio aos familiares e outros cuidadores da pessoa com demência.

Inicialmente, o trabalho começará por ser desenvolvido junto das famílias dos 20 utentes do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) da instituição e essas famílias ajudarão a identificar outras que estejam em situações semelhantes.

"É uma forma de nós começarmos e depois as próprias pessoas, conhecendo o serviço, conhecendo este programa, poderão vir até nós", acrescentou a responsável.

Na região de Bragança não existe qualquer instituição especializada nesta problemática e os lares de idosos não conseguem dar resposta às listas de espera.

Muitos doentes estão a ser tratados com ajuda de familiares, amigos ou mesmo vizinhos que, estando "apoiados e orientados para aquela situação, conseguirão lidar mais facilmente com o desgaste que provoca o tratar uma pessoa com demência", segundo Paula Pimentel.

A intenção do programa é evitar também "que o próprio cuidador fique doente, porque é uma tarefa complexa, é muito exigente, exige uma atenção permanente do cuidador e muitas vezes a própria partilha poderá ajudar a minimizar o desconforto que o cuidador sofre".

"Por um lado, dar-lhe força e energia para continuar a cuidar, mas também atender às necessidades", acrescentou.

A Fundação Betânia acredita que se conseguir "preparar as pessoas" poderá ajudar a encaminhar a nível de terapêutica e evitar tão cedo e tão precocemente a institucionalização e a própria progressão da doença".

Desconhecem-se estatísticas sobre a prevalência das demências nos idosos do Distrito de Bragança, mas há vários anos que as instituições ligadas à Terceira Idade vêm alertando para esta problemática e para a necessidade de criar respostas institucionais inexistentes na região.

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