Instituto quer advertência de perigo das bebidas alcoólicas no rótulo
O Instituto de Estudos sobre o Álcool recomenda que as bebidas alcoólicas tenham rótulos a advertir para os seus efeitos nocivos, um conselho que a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) aplaude pelo "efeito pedagógico".
À semelhança das indicações sobre o efeito nocivo do tabaco, incluídas nas embalagens comercializadas na Europa, incluindo Portugal, estas recomendações visam alertar o consumidor para os efeitos nocivos do consumo do álcool.
A recomendação é do Instituto de Estudos sobre o Álcool, com sede no Reino Unido, e foi solicitada pela Comissão Europeia.
Em Portugal, e de acordo com um relatório sobre o Álcool na Europa, divulgado em Bruxelas na passada quinta-feira, cada adulto bebe anualmente cerca de 12 litros de bebidas alcoólicas.
O relatório, elaborado pelo Instituto de Estudos sobre o Álcool, revela que o consumo anual de bebidas alcoólicas (vinho, cerveja ou bebidas espirituosas) em Portugal ronda os 12 litros por adulto, numa tabela liderada pelo Luxemburgo (cerca de 17 litros), seguido da Irlanda, França, Alemanha e Áustria.
Os cidadãos que bebem menos são os suecos (cerca de sete litros anuais), seguidos dos italianos e gregos.
O documento cita ainda Portugal como um dos países onde aumentou o consumo exagerado de bebidas alcoólicas (chamado "binge drinking", ou seja, beber demasiado), o que geralmente é medido pela ingestão de cinco ou mais bebidas diárias -, podendo levar ao embriagamento ou à intoxicação.
A recomendação do instituto pretende fomentar um consumo responsável das bebidas alcoólicas. Para isso, defende que as bebidas sejam vendidas em garrafas com informações sobre os seus efeitos nocivos.
A recomendação merece o aplauso da DECO que salienta o "efeito pedagógico" deste tipo de informações, como disse à Lusa o secretário- geral da associação.
De acordo com Jorge Morgado, o consumo de álcool transformado (bebidas espirituosas) pelos jovens preocupa a associação.
Por esta razão, a DECO salienta o papel positivo deste tipo de advertências que, tal como no caso das embalagens de tabaco, "põem as pessoas a pensar sobre o assunto".
Jorge Morgado adiantou que, caso o governo português aceite a recomendação do instituto, a medida será do agrado da DECO.