Instituto quer valorizar produtos alimentares através do gosto e olfacto
Um italiano radicado em Portugal vai abrir em Novembro, em Lamego, o Instituto do Gosto e dos Aromas, onde serão ministrados cursos de valorização de produtos alimentares através das suas propriedades gustativas e olfactivas, designadamente o vinho.
Gil Gilardino, que frequentou em França vários cursos da área da eno-gastronomia, afirmou à Agência Lusa que "as propriedades olfactivas e gustativas são muito importantes" e, por isso, quem trabalha com produtos alimentares tem de as saber valorizar.
Neste âmbito, o Instituto do Gosto e dos Aromas (IGA) pretende especializar vários profissionais que lidam com produtos alimentares, nomeadamente os ligados ao vinho, como provadores, escanções, guias turísticos e vendedores.
"Se um produto não é valorizado com argumentos profissionais não vende", frisou, lamentando que "ainda não se dê a importância devida aos sistemas olfactivo e aromático em Portugal, onde só existem duas escolas que fazem formação a esse nível, ainda que de forma superficial, no Porto e no Estoril".
Segundo o responsável, por exemplo, no Japão, há 17 escolas deste género, que visitou para recolher informações para o seu projecto.
Gil Gilardino estima já ter gasto entre 40 e 50 mil euros no seu projecto, estando a estudar de que forma poderá enquadrá-lo nalgum programa comunitário, de forma a receber apoio financeiro.
Entre os oito professores do IGA encontram-se engenheiros agrónomos, enólogos e também filósofos, "para que seja possível retirar as expressões certas sobre o produto".
"Quando temos um prazer, é muito difícil explicá-lo, descrevê- lo. Temos de nos equipar de uma dialéctica própria, retirada da poesia, da literatura e da filosofia", explicou.
O IGA irá ministrar cursos em horário pós-laboral, tendo já 18 pessoas inscritas.
Só são aceites alunos com o nono ano de escolaridade completo e que tenham uma profissão relacionada com produtos alimentares.
No prazo de sete ou oito meses, o responsável espera ter o sistema informático equipado com uma base de dados que permita também ao IGA analisar os produtos alimentares para indicar às empresas qual a sua relação qualidade/preço.
"Mas para isso vamos precisar de provadores que possam criar os parâmetros que permitam dizer quando vale, por exemplo, um queijo, e completar o nosso sistema informático", sublinhou.
De futuro, gostaria também de criar um restaurante/escola, "onde seriam experimentadas as ligações sensitivas dos alimentos com o vinho".
Gil Gilardino lançou em Agosto o Jornal do Gosto e dos Aromas, escrito em português e japonês, com o qual pretende sobretudo divulgar a enologia, a gastronomia e o turismo da região do Douro, ainda que faça também referência a produtos de outros pontos do país.
Para o Japão seguiram 2.500 exemplares do jornal, onde considera que a presença de produtos portugueses é ainda muito limitada.