Introdução da vacina contra a meningite C custa 2,5 ME ao Estado

A introdução da vacina contra a meningite C no Plano Nacional de Vacinação (PNV) representa um acréscimo estimado de 2,5 milhões de euros ao programa nacional de imunização, disse à Lusa fonte da Direcção-Geral da Saúde.

Agência LUSA /

Graça Freitas, responsável pela divisão de doenças transmissíveis da Direcção-Geral da Saúde (DGS), adiantou que este é um valor estimado, uma vez que não foi ainda aberto o concurso público para a aquisição da vacina.

As alterações ao Plano Nacional de Vacinação (PNV) incluem também a aquisição de uma vacina pentavalente (5 em 1), que vai incluir as novas vacinas contra a poliomielite e a tosse convulsa, e que deverá representar um custo acrescido de cinco milhões de euros.

A introdução da vacina contra o meningococo C e das novas vacinas contra a poliomielite e tosse convulsa no PNV - que permite a vacinação gratuita para a população -, foram decididas terça-feira pelo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, com base num parecer da Comissão Técnica de Vacinação da DGS.

Graça Freitas salientou que "esta foi a mesma Comissão Técnica de Vacinação que há dois anos afirmou ao ministro da Saúde [então o socialista António Correia de Campos], que não havia ainda dados suficientes para tomar uma decisão".

Em 2002, um "surto de pânico" associado à notícia da morte de várias crianças e jovens devido a meningite provocou uma "corrida" às duas vacinas que então existiam nas farmácias portuguesas, e que não eram comparticipadas.

O resultado, esclareceu Graça Freitas, é que actualmente a taxa de vacinação contra o meningococo C nas crianças com idades entre 1 e quatro anos é de 70 por cento, e de 60 por cento nas crianças mais novas.

Em Março de 2002 a Comissão Técnica de Vacinação ponderou a inclusão da vacina contra o meningococo C no PNV, mas os dados disponíveis na altura sobre a relação benefício/risco "eram insuficientes", existindo também o receio de que a vacinação em massa contra o meningococo C abrisse caminho a uma maior incidência do meningococo B, contra o qual não existe ainda qualquer vacina disponível.

A responsável da DGS esclareceu que a monitorização do meningococo em países que introduziram há mais anos a vacinação geral contra o grupo C - como a Inglaterra, onde a vacina começou a ser distribuída gratuitamente em 1999 -, "não indica, por enquanto que esteja a haver uma substituição, o que dá alguma segurança" à decisão de incluir a vacinação no PNV.

Segundo Graça Freitas, a taxa de incidência das doenças meningocócicas pelos grupos B e C - os principais em Portugal -, é de 300 casos por ano, desde 2001, o que "está dentro dos padrões esperados".

No período 2003/2004, a taxa de incidência da doença baixou para 200 casos, devido à vacinação efectuada no início de 2002, em pleno "surto de pânico", mas, frisou Graça Freitas, "nunca correspondeu a uma epidemia" da doença.

Actualmente existem no mercado português três vacinas contra o meningococo C, todas com o mesmo preço (35,27 euros) e comparticipadas a 40 por cento.

A administração gratuita da vacina contra o meningococo C só deverá ocorrer em Outubro de 2005, dado que é necessário abrir um concurso público para escolher a vacina e "preparar toda a logística necessária" à sua administração.

Também nesta data vai começar a ser distribuída a vacina pentavalente, que inclui as novas vacinas contra a tosse convulsa e a poliomielite.

O novo PNV passa assim a incluir onze vacinas, para as seguintes doenças: tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b, sarampo, parotidite epidémica, rubéola e doenças causada por Neisseria meningitidis do serogrupo C.


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