Inválidos do Comércio comemoram 79 anos com mais de mil idosos em lista de espera para o Lar
* * * Por Elsa Resende, da agência Lusa * * *
Lisboa, 10 Abr (Lusa) - Mais de mil idosos aguardam vez para entrar no lar dos Inválidos do Comércio, instituição que faz hoje 79 anos e onde os sócios pedem admissão quando a solidão, a doença e a morte lhes bate à porta.
Fundada, a 10 de Abril de 1929, por Alexandre Ferreira, pai do escritor José Gomes Ferreira, a instituição tem um lar-residência, no Lumiar, que acolhe mais de 300 idosos, em média com mais de 80 anos.
Com 13.100 sócios, das mais variadas profissões e idades, os Inválidos do Comércio possuem uma "lista de espera" de cerca de 1.100 idosos no lar, referiu à Agência Lusa o presidente da direcção, Vítor Damião.
Para 2009, está prevista a entrada em funcionamento de novas instalações, a remodelar e que permitirão, de acordo com Vítor Damião, aumentar em 20 por cento a oferta de camas.
Mais atrasado, porém, está o processo de construção de um novo lar, para 60 utentes, que aguarda financiamento e aprovação da autarquia de Lisboa.
A instituição sobrevive, embora com "défice", à custa das quotas dos sócios, dos subsídios da Segurança Social e das rendas dos imóveis que herdou de beneméritos, em Lisboa.
Os Inválidos do Comércio começaram por dar assistência a antigos comerciantes. Hoje recebem médicos, engenheiros e advogados aposentados.
Entre os "moradores" anónimos do lar contam-se ainda um ex-barbeiro de Salazar, uma idosa de 97 anos que legendou filmes e uma antiga actriz amadora.
Dirigida essencialmente aos sócios, são estes que, "com 20, 30, 40, 50 anos" de fidelização à instituição, "tratam dos papéis para a admissão ao lar", sublinhou Vítor Damião.
O pedido surge quando, "em mais de 60 por cento" dos casos, o idoso é solteiro, vive sozinho e perdeu os amigos ou, nas restantes situações, se viu confrontado com "problemas físicos" ou com a morte ou doença do parceiro.
Além do lar, com valência de residência para os utentes mais autónomos, a instituição disponibiliza apoio domiciliário a 15 pessoas e auxilia cinco crianças orfãs de sócios. Há menos de um mês, apresentou uma candidatura para a construção de uma creche.
Na "casa de repouso", que herdou o nome do fundador dos Inválidos, os idosos "são tratados pelo nome" e têm liberdade de movimentos.
Alguns, com mais de 80 anos, continuam a conduzir a sua viatura, estacionada à porta do edifício, construído numa propriedade com sete hectares.
Outros entram, sem entraves, depois do portão se fechar - após a meia-noite - quando regressam de um jantar de amigos ou de um espectáculo.
"Chegam [utentes do lar] a ligar às duas da manhã para o telemóvel do guarda para que lhes abra o portão", realçou o presidente dos Inválidos do Comércio, Vítor Damião.
Hoje, a instituição vai comemorar o seu aniversário com um almoço-convívio e uma série de actividades lúdicas, que se prolongam até ao fim de Abril.
Na quarta-feira, a azáfama dos preparativos da festa era muita, sobretudo entre as mulheres.
Vítor Damião explica porquê: "Estavam todas preocupadíssimas em arranjar o cabelo e as unhas".
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