Investigação cativa potenciais candidatos a Medicina

Os melhores alunos portugueses do Secundário na área das Ciências da Vida concluíram hoje uma semana de "aventuras" no reino da investigação, na Universidade do Porto, admitindo agora que há mais futuro para além da carreira médica.

Agência LUSA /

Foram 88 os "barras" em Ciências da Vida que por estes dias se fizeram investigadores no âmbito da Universidade Júnior do Porto (UJr), subprograma "Saúde".

Entre eles, encontra-se João Dias que, com mais três jovens investigadores, avaliou a saúde do ecossistema no estuário do Douro, concluindo que "não dá mesmo" para tomar banho no troço do grande rio ibérico junto à fluvina do Freixo.

Os sedimentos analisados deram para perceber que há demasiados coliformes fecais e totais, bem como estreptococos.

Ou seja, a água "é um esgoto", simplifica João Dias, 16 anos, que frequenta a Escola Secundária de Santa Maria da Feira, onde atingiu médias de 18,3 valores (10º ano de escolaridade) e 18 valores (11º ano).

No grupo dos 88 "magníficos" chamados a investigar no Porto, no âmbito da UJr, integra-se também Ana Salomé, 17 anos, que na Escola Secundária Arquitecto Oliveira Ferreira, de Arcozelo, Gaia, concluiu o 10º ano com 18,3 valores e o 11º com uma média de 17,85.

A aluna de Gaia foi ao Serviço de Farmacologia e Terapêutica do Hospital de S. João, com três companheiros, avaliar o efeito da angiotensina II no organismo humano.

A angiotensina II é a dissecção dos vasos sanguíneos e o grupo de Salomé ficou a perceber que aumenta a sensibilidade à dor, mas, por falta de tempo, não deu para chegar a outras conclusões.

Em comum, João e Salomé tinham a ideia fixa de que haveriam de seguir uma formação universitária em Medicina, mas agora ambos já admitem que não será "o fim do mundo" se o não conseguirem.

O objectivo do subprograma "Saúde" da Universidade Júnior é precisamente fazer perceber aos frequentadores que há "aliciantes alternativas" para quem fica à porta da Faculdade de Medicina por umas décimas.

Pode ser o caso de João e Salomé. Eles são bons alunos mas para entrar, por exemplo, na Faculdade de Medicina do Porto, é preciso atingir uma média ainda superior à que têm, qualquer coisa como 18,6 valores.

"Agora, atrai-me a ideia de entrar num instituto da Universidade do Porto, mas ainda não me defini bem. Terei de analisar melhor", observa João.

Já Salomé mantém o interesse em entrar em Medicina, para posterior especialização em Medicina Legal, mas, "se não conseguir", admite enveredar pela investigação.

"Talvez qualquer coisa relacionada com investigação na área oncológica", equaciona a aluna de Gaia, que se revelou agradavelmente surpreendida porque ficou a saber, nos meandros da Universidade do Porto, "o que se faz com aquele curso que por acaso até tem aquele nome".

Os 88 alunos do Secundário que a Universidade transformou, por dias, em investigadores na área da saúde, trabalharam desde segunda- feira nas faculdades de Nutrição, Farmácia, Medicina e Medicina Dentária, nos institutos de Oncologia, Biologia Molecular e Celular, Patologia e Imunologia, Ciências Biomédicas, bem como no Centro de Investigação Marinha e Ambiental.

Hoje mesmo, dia de fecho das investigações, apresentaram as conclusões dos seus trabalhos numa conferência aberta pelo director do Instituto de Biologia Molecular e Celular, Alexandre Quintanilha, e encerrada pelo reitor da Universidade, José Marques dos Santos.

Mais tarde vão recordar ou, quem sabe, fazer da investigação o seu dia a dia.

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