Investigadores científicos estão a sair de Portugal

Lisboa, 05 nov (Lusa) - O presidente da associação dos investigadores científicos alertou hoje para a saída de especialistas para o estrangeiro devido à falta de perspetiva de continuidade do seu trabalho, perdendo-se o investimento já realizado.

Lusa /

Miguel Jorge, que falava no "Grande Debate Nacional sobre os Investigadores em Ciência e Tecnologia", a decorrer em Lisboa, defendeu que "não houve integração a longo prazo dos investigadores e, sem perspetivas de continuidade [do trabalho efetuado], o investimento é perdido".

"Há muitos investigadores a sair de Portugal", salientou, insistindo numa ideia transmitida por muitos cientistas, mas que não tem o acordo de todos.

Em julho, a secretária de Estado da Ciência, que também participou no debate de hoje, afirmava que os indicadores disponíveis não mostravam qualquer movimento de fuga de investigadores qualificados de Portugal.

"Os indicadores que temos, vindos do Instituto Nacional de Estatística e da Direcção Geral de Estatística de Educação e Ciência do Ministério [da Educação e Ciência] não mostram, neste momento, fuga de cérebros", dizia Leonor Parreira.

Miguel Jorge deu o exemplo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde trabalha: 30% (sete) dos investigadores saíram, na maior parte dos casos devido a "falta de estabilidade contratual".

Entre as propostas que a Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia defende está a separação da promoção e do recrutamento dos cientistas, a resolução das relações precárias de trabalho, o fim do regime de exclusividade e substituição por prémios salariais com base na produtividade científica.

O presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Miguel Seabra, disse que estão em estudo várias alterações e a secretária de Estado da Ciência referiu que estão a ser recolhidos contributos para modificações nas regras da carreira científica.

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