Investigadores de Coimbra criaram micro-robô para "revolucionar" correção de deformidades faciais

Coimbra, 21 jan (Lusa) -- Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um micro-robô com o qual "pretendem revolucionar" a correção de deformidades faciais, realizando os tratamentos de forma rápida e em ambulatório, anunciou hoje aquela instituição de ensino.

Lusa /

O novo método de tratamento baseia-se num distrator mandibular robotizado, que ainda este ano vai ser aplicado a título experimental em humanos, após ensaios com animais, no âmbito de investigações iniciadas em 2011.

A colocação do micro-robô implica "uma cirurgia que pode ser feita em ambulatório", disse hoje à agência Lusa o ortodontista Francisco do Vale, da Faculdade de Medicina da UC, um dos quatro investigadores envolvidos no projeto.

Além de Francisco do Vale e do físico Francisco Caramelo, da mesma faculdade, integram a equipa de investigação Germano Veiga, engenheiro mecânico com especialização em robótica, e Miguel Amaral, engenheiro biomédico, ambos oriundos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

"Semelhante a um pequeno parafuso", o novo distrator "vai revolucionar o tratamento de deformidades faciais, principalmente as que estão associadas ao chamado `retrognatismo mandibular`, caracterizado pela falta de desenvolvimento do maxilar inferior, dando ao paciente a aparência de `queixo pequeno`, face convexa e região nasal proeminente", refere uma nota da assessoria de imprensa da Universidade.

Trata-se de "um dispositivo médico que permite fazer um alongamento do osso muito progressivo", disse Francisco do Vale, explicando que este distrator "não é tão invasivo" como outros sistemas convencionais e que pode ser aplicado "quer por motivos estéticos, quer funcionais".

O dispositivo "vai corrigir o maxilar, permitindo também o tratamento de situações mais leves", e pode ser aplicado em crianças e adolescentes, acrescentou.

"A grande inovação deste micro-robô em relação aos distratores ósseos convencionais é permitir realizar os tratamentos de forma rápida, em ambulatório, com poucos efeitos secundários e praticamente sem limitações", salienta a nota da UC.

Atualmente, "o tratamento obriga a internamento hospitalar para a realização de duas cirurgias delicadas, sob anestesia geral, para a colocação e remoção dos dispositivos", com "um período incapacitante longo" em que é feita "a ativação manual do dispositivo duas vezes ao dia".

A nova solução, já com patente provisória, "assenta numa microtecnologia única, minimamente invasiva, sem necessidade de anestesia geral e capaz de provocar a distração óssea autonomamente, evitando assim o internamento" hospitalar.

"Colocado nos dentes e não no osso da mandíbula, o distrator é equipado com comunicação sem fios, que possibilita a sua programação e monitorização remotas, em tempo real, e minimiza os cuidados médicos diários", realçam os investigadores.

No futuro, o novo distrator "poderá ainda ser utilizado noutras patologias" da cirurgia maxilo-facial e da ortodontia, na implantologia e na ortopedia.

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