Investigadores estudam níveis de ozono na serra Alvão

Investigadores portugueses vão tentar descobrir por que motivo a Serra do Alvão, parcialmente integrada no Parque Natural do Alvão, sem fábricas e com pouco trânsito, tem registado frequentemente níveis muito elevados de ozono, um gás poluente.

Agência LUSA /

Segundo a divisão de monitorização ambiental da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da região Norte (CCDRN), a Estação de Monitorização de Lamas d+Olo, em plena serra do Alvão, registou níveis de ozono superiores a 240 microgramas por metro cúbico de ar em 89 ocasiões.

Este valor obriga as autoridades a lançar um alerta à população, já que a exposição a este poluente tem efeitos na saúde, podendo provocar sintomas como tosse, falta de ar ou irritações oculares.

Ainda segundo a CCDRN, o número de vezes que a estação de Lanas d+Olo registou níveis de ozono muito elevados corresponde a 92 por cento do total das ultrapassagens de todas as 23 estações de monitorização da Região Norte.

A concentração de ozono no ar pode ocorrer quando há muito calor, sobretudo associado a outros factores, como o trânsito, outras fontes de poluição atmosférica ou mesmo dos incêndios que deflagram por todo o país.

Mas na zona da Serra do Alvão não há indústrias, os índices de tráfego são reduzidos e há pouca poluição atmosférica.

As universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e de Aveiro vão por isso promover um estudo para tentar perceber por que motivo se registam ali níveis tão elevados de ozono.

A professora da UTAD Margarida Correia Marques já disse que "a ideia é saber exactamente a origem dos propulsores do ozono ou a dispersão dos poluentes, para se perceber exactamente como é que se está a formar e como se chega a valores tão altos no Alvão".

"Como o Alvão está numa zona de altitude, com muita radiação solar, pode haver massas de ar que venham, tanto do litoral, como de Espanha, encontrar aqui as situações propícias para a formação do ozono", adiantou.

Na prática, podem verificar-se "picos de ozono", cuja concentração se faz sentir, sobretudo, em zonas de elevada altitude, mesmo a grandes distâncias das designadas fontes de emissão, entre outras, pólos industriais ou tráfego, explicou.

A exposição ao ozono afecta as mucosas oculares e respiratórias e o seu efeito pode manifestar-se através de sintomas como tosse, dores de cabeça, dores de peito, falta de ar e irritações oculares.

Durante o período em que os níveis estão acima da média as pessoas mais sensíveis, designadamente crianças, idosos, asmáticos e indivíduos com problemas respiratórios, devem sempre evitar inalar uma grande quantidade de ar poluído.

Quando os níveis de concentração de ozono ultrapassam os 180 microgramas por metro cúbico de ar é obrigatório informar a população e quando a concentração média ultrapassa os 240 microgramas por metro cúbico de ar as autoridades lançam um alerta à população.

Segundo fonte da CCDRN, a Estação de Monitorização de Lamas d+Olo registou ainda 318 ocasiões, que correspondem a 46 dias, em que os níveis de ozono ultrapassaram os 180 microgramas por metro cúbico de ar.

Estes valores representam 53 por cento de todas as ultrapassagens das estações de monitorização do norte, designadamente um total de 604 horas.

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