IPO/Portousa laser para tratar grandes tumores na laringe e faringe

Porto, 03 Jun (Lusa) - O Instituto Português de Oncologia (IPO) apresentou hoje, no Porto, uma técnica cirúrgica com laser para tratamento de cancros da laringe e faringe que permite ao doente manter funções vitais como a voz e a deglutição.

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Trata-se de um "procedimento cirúrgico endoscópico com laser" que o IPO/Porto aplica já em tumores de maior dimensão (T3 e T4), sendo que esta técnica era, até há pouco mais de dois anos, apenas utilizada em pequenos tumores.

O IPO admite que este tipo de cancro possa atingir, em média, 5,5 pessoas por 100 mil habitantes, sobretudo homens em idades acima dos 50 anos.

Em 2005 e 2006, o IPO/Porto recebeu 393 casos de doentes com este tipo de carcinoma, tendo operado com esta técnica 29 por cento dos pacientes.

Os restantes foram submetidos a cirurgias ditas tradicionais, que implicaram, na maioria dos casos, a realização de traqueotomias.

Actualmente, disse Eurico Monteiro, dois terços dos doentes já são submetidos a um procedimento cirúrgico endoscópico com laser.

"Um quarto da população prefere ficar com a voz", salientou Eduardo Breda.

Este médico do IPO/Porto explicou, à Lusa que nesta técnica o laser é acoplado a um microscópio, sendo possível fazer uma avaliação da extensão e profundidade do tumor.

O especialista adiantou ainda que "a extracção do tumor é feita por segmentos, numa espécie de puzzle", sendo a cirurgia acompanhada por especialistas de anatomia patológica.

"Vai-se retirando o tumor por fracções até se ter a certeza de que se retira toda a lesão", frisou Eduardo Breda, sustentando que ao fim de dois meses o doente está perfeitamente bem.

O pós-operatório é também substancialmente mais simples, segundo clínico, dado que, na maioria dos casos, os doentes têm alta no dia seguinte ou dois dias depois da cirurgia.

"Esta abordagem permite adequar o tratamento com o tipo de lesão, preservar as estruturas musculares e nervosas, reduzir custos de tratamento e evitar cirurgia reconstrutiva", salientou.

O médico referiu, contudo, que esta cirurgia apresenta também "riscos e complicações", mas "mais reduzidos", e que um doente submetido a esta operação pode ter que repetir a intervenção.

Eduardo Breda salientou ainda que "a ideia que o laser é usado para queimar não é aplicada" com esta técnica.

Para Eurico Monteiro, importa ainda frisar que neste tipo de intervenção é necessário equipas multidisciplinares.

Dulce, administrativa da Segurança Social, necessitou de ser submetida por duas vezes a este tipo de intervenção com laser para retirar o tumor que tinha na laringe, no ano passado.

Em declarações aos jornalistas, Dulce afirmou que, passado meio ano, tem uma vida normal, apenas não atende tantas vezes o telefone porque as colegas não a deixam.

A administrativa queixava-se de rouquidão quando lhe foi detectado o tumor, tendo agora cuidado para não falar muito para não se cansar.

"Dores nunca tive, nem antes nem depois das duas operações", frisou Dulce, que agora se desloca ao IPO/Porto de três em três meses para controlo.

O senhor Valente, que foi também operado no ano passado e apenas necessitou de uma intervenção cirúrgica, lamentou aos jornalistas apenas ter conseguido um diagnóstico depois de consultar um otorrino do sector privado.

"Fui duas dezenas de vezes ao médico de família com tosse e sempre me foi dada uma pastilha", frisou.

O serviço de Otorrinolaringologia do IPO/Porto realiza entre 380 a 400 cirurgias por ano, tendo actualmente uma lista de espera de cerca de 70 doentes.

"Em média, os doentes têm que esperar entre dois meses e meio a três meses pela cirurgia", acrescentou Eurico Monteiro, lamentando que o serviço apenas conte com quatro médicos.

Para dar a conhecer esta técnica a outros médicos do foro oncológico, o IPO/Porto realiza, entre 25 e 28 deste mês, um workshop internacional de microcirurgia transoral laser, que contará com a participação do alemão Wofgang Steiner, considerado o pai desta técnica.

A par do workshop, decorrerá ainda o primeiro curso internacional de microcirurgia transoral laser.


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