IPPAR autoriza cobertura amovível sobre Praça de Touros

O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) aprovou a construção de uma cobertura amovível na Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, fechada para obras há seis anos, disse à Lusa o director-regional daquele organismo.

Agência LUSA /

Com esta autorização, decidida por unanimidade pelo conselho consultivo do IPPAR no início do mês, as obras de recuperação da Praça de Touros deverão estar concluídas até Março, adiantou o director-regional de Lisboa do instituto, Flávio Lopes.

Com 112 anos, o monumento classificado como imóvel de interesse público, da autoria do arquitecto José Dias da Silva, é um exemplo característico da arquitectura revivalista neo-árabe, estando fechado ao público desde 1999 devido à falta de condições de segurança.

O projecto de reabilitação da praça, da responsabilidade da Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno (SRUCP), uma empresa privada, contempla a recuperação do edifício e a construção de um complexo que integra um espaço comercial com 70 lojas, oito cinemas e 1.250 lugares de estacionamento em três pisos subterrâneos, num custo total de 60 milhões de euros.

O sistema de cobertura, concebido pelo engenheiro Tiago Abecassis, abre ao centro, através do recuo de oito "fatias" de vidro sobre uma estrutura metálica, num espaço que corresponde a dois terços da área total da arena.

à volta da estrutura metálica haverá também um anel de vidro, o que dará a sensação de que todo o espaço está aberto quando a cobertura estiver recuada, sustentou o arquitecto.

Esta solução mereceu a aprovação do IPPAR, que chegou a recusar duas propostas anteriores de coberturas fixas, por considerar que não permitiriam a visibilidade do céu e desvirtuavam as características arquitectónicas do monumento.

"Esta estrutura metálica cumpre, de uma forma geral, as condicionantes que o IPPAR transmitiu aos promotores, integrando-se em termos arquitectónicos na praça. Além disso, não é muito visível do exterior e, no interior, não prejudica a fruição do espectador", explicou Flávio Lopes.

O IPPAR vai acompanhar a obra, de forma a garantir que a construção da cobertura é feita sem danos para o monumento.

Outra condicionante imposta pelo IPPAR no seu parecer, a que a agência Lusa teve acesso, é de que a estrutura possa vir a ser desmontada caso seja considerada obsoleta.

Segundo os promotores, a cobertura permitirá realizar na praça, além das corridas de touros, outro tipo de espectáculos, como óperas, orquestras, concertos de música ligeira e teatro.

Um dos factores que levou o IPPAR a aprovar uma cobertura com estas características foi o facto de a estrutura melhorar as condições de fruição do espaço, afirmou o director-regional.

"Hoje já não se vive da mesma maneira que no século XIX. As pessoas actualmente têm dificuldade em sentar-se em bancos de pau ou estar à chuva", considerou Flávio Lopes, sublinhando que "o público vai fugindo dos recintos que têm menos condições e que assim têm tendência a ser abandonados e degradar-se".

Na opinião do responsável do IPPAR de Lisboa, estas obras não vão alterar a função da praça, que nos últimos 20 anos já acolhia espectáculos musicais, além das touradas.

A Lusa tentou obter declarações da administração da SRUCP, mas foi informada de que tal não seria possível por os responsáveis se encontrarem de férias.


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