País
Especial Iraque
Iraque propicia nova troca de acusações entre Governo e Oposição
“Em boa verdade, a primeira baixa colateral do conflito iraquiano em Portugal foi o PS”, ironizou o primeiro-ministro, Durão Barroso, no Parlamento, comentando as moções de censura ao Governo apresentadas pelos partidos da Oposição. As críticas ao PS dominaram o seu discurso.
Genericamente, o chefe do Executivo de coligação classificou as moções de censura propostas pelo PS, PCP, BE e PEV como um “exercício de oportunismo político”.
O governante reiterou que não é possível a neutralidade “quando estão em causa valores, princípios e convicções”. Nesta linha de ideias, acusou a Oposição de ser uma coligação negativa cujo denominador comum consiste em “afrontar o Governo na base do oportunismo e do tacticismo mais despudorados”.
Durão Barroso denunciou ainda “as tentativas de muitos para lançar o país num conflito institucional” entre o Governo e o Presidente da República, decorrente das diferenças de opinião sobre o conflito armado no Iraque.
“Não reconheço ao ditador iraquiano nem o direito nem o poder de provocar qualquer divergência de fundo entre o Governo, a Assembleia e o Presidente da República”, declarou.
Para o primeiro-ministro, do debate de quarta-feira na Assembleia da República resultará “a rejeição da irresponsabilidade dos partidos da Oposição e o reforço da confiança no Governo, na maioria que o apoia e na estratégia definida para governar Portugal”.
Enfoque no PS
Durão Barroso detalhou as críticas ao PS, afirmando que o maior partido da Oposição “está irreconhecível” e denota uma “incontinência verbal” que “só tem paralelo no desnorte político”.
“O Partido Socialista afastou-se da convergência nacional em matéria externa e lançou-se nos braços do PCP”, acusou o primeiro-ministro, notando que “o líder do PS cede às pressões mais radicais e não tem pejo de se manifestar nas ruas de Lisboa de braço dado com aqueles que considerava tolerantes para com o ditador iraquiano”.
“Portugal não participa militarmente no conflito do Iraque mas Portugal estará disponível, no quadro das Nações Unidas e da União Europeia, para dar a sua participação no esforço futuro da reconstrução do Iraque e de desenvolvimento do Estado democrático iraquiano”, confiou.
As razões de Ferro
O PS, por seu turno, procurou justificar a apresentação da moção de censura ao Governo, alegando o apoio a uma “guerra ilegítima” em solo iraquiano.
“O Governo português deitou para o caixote do lixo princípios políticos, direito internacional, sistema das Nações Unidas, consideração por outros aliados, concerto europeu e consenso nacional”, acusou o secretário-geral socialista, Eduardo Ferro Rodrigues.
O primeiro-ministro foi “irresponsável” ao colocar-se do lado “dos que fragilizam a unidade da União Europeia” e por ter aceitado acolher a Cimeira das Lajes, há semana em meia.
“Uma União Europeia mais frágil pode interessar a muitos, mas não seguramente a Portugal”, opinou
“As sucessivas acções e declarações do primeiro-ministro e do Governo português de apoio ao desencadear de uma guerra ilegítima, à margem do Conselho de Segurança, constituem actos da maior gravidade para Portugal. Actos que quebram o importante consenso nacional na política externa”, acentuou Ferro Rodrigues.
O dirigente socialista garantiu que, “numa altura em que o esforço de reconstrução será imenso, o PS bater-se-á para que as Nações Unidas reassumam o papel que lhe é devido. Um papel de motor da reconstrução e de garantia de que as riquezas do Iraque pertencerão aos iraquianos”.
Guerra ilegítima, ilegal e suja
Depois de o PS, pela voz de Ferro Rodrigues, ter apresentado a moção de censura ao Governo, as restantes forças políticas da esquerda convergiram, igualmente, nas críticas ao Executivo.
PCP, BE e PEV criticaram duramente o alinhamento com uma ofensiva militar contra o regime de Saddam Hussein. O Governo deve ser censurado pela subserviência face aos Estados Unidos, preconizaram.
O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, adjectivou a guerra, que granjeou o apoio do Governo português, como “ilegítima, ilegal, suja, preventiva e um acto de agressão”.
O deputado bloquista Luís Fazenda censurou o primeiro-ministro pelo apoio ao “imperialismo” norte-americano, advogando que os EUA se mobilizaram para a guerra com os propósitos de dominarem o Iraque e os seus recursos petrolíferos, O parlamentar desafiou Durão Barroso a dizer o que pensa sobre o futuro da ONU, uma vez que a intervenção ocorre sem o aval do Conselho de Segurança.
Também Isabel de Castro, de Os Verdes, criticou o Governo por ter associado a uma guerra que classificou como ilegítima e que resultará na morte de “milhares de inocentes”.
O governante reiterou que não é possível a neutralidade “quando estão em causa valores, princípios e convicções”. Nesta linha de ideias, acusou a Oposição de ser uma coligação negativa cujo denominador comum consiste em “afrontar o Governo na base do oportunismo e do tacticismo mais despudorados”.
Durão Barroso denunciou ainda “as tentativas de muitos para lançar o país num conflito institucional” entre o Governo e o Presidente da República, decorrente das diferenças de opinião sobre o conflito armado no Iraque.
“Não reconheço ao ditador iraquiano nem o direito nem o poder de provocar qualquer divergência de fundo entre o Governo, a Assembleia e o Presidente da República”, declarou.
Para o primeiro-ministro, do debate de quarta-feira na Assembleia da República resultará “a rejeição da irresponsabilidade dos partidos da Oposição e o reforço da confiança no Governo, na maioria que o apoia e na estratégia definida para governar Portugal”.
Enfoque no PS
Durão Barroso detalhou as críticas ao PS, afirmando que o maior partido da Oposição “está irreconhecível” e denota uma “incontinência verbal” que “só tem paralelo no desnorte político”.
“O Partido Socialista afastou-se da convergência nacional em matéria externa e lançou-se nos braços do PCP”, acusou o primeiro-ministro, notando que “o líder do PS cede às pressões mais radicais e não tem pejo de se manifestar nas ruas de Lisboa de braço dado com aqueles que considerava tolerantes para com o ditador iraquiano”.
“Portugal não participa militarmente no conflito do Iraque mas Portugal estará disponível, no quadro das Nações Unidas e da União Europeia, para dar a sua participação no esforço futuro da reconstrução do Iraque e de desenvolvimento do Estado democrático iraquiano”, confiou.
As razões de Ferro
O PS, por seu turno, procurou justificar a apresentação da moção de censura ao Governo, alegando o apoio a uma “guerra ilegítima” em solo iraquiano.
“O Governo português deitou para o caixote do lixo princípios políticos, direito internacional, sistema das Nações Unidas, consideração por outros aliados, concerto europeu e consenso nacional”, acusou o secretário-geral socialista, Eduardo Ferro Rodrigues.
O primeiro-ministro foi “irresponsável” ao colocar-se do lado “dos que fragilizam a unidade da União Europeia” e por ter aceitado acolher a Cimeira das Lajes, há semana em meia.
“Uma União Europeia mais frágil pode interessar a muitos, mas não seguramente a Portugal”, opinou
“As sucessivas acções e declarações do primeiro-ministro e do Governo português de apoio ao desencadear de uma guerra ilegítima, à margem do Conselho de Segurança, constituem actos da maior gravidade para Portugal. Actos que quebram o importante consenso nacional na política externa”, acentuou Ferro Rodrigues.
O dirigente socialista garantiu que, “numa altura em que o esforço de reconstrução será imenso, o PS bater-se-á para que as Nações Unidas reassumam o papel que lhe é devido. Um papel de motor da reconstrução e de garantia de que as riquezas do Iraque pertencerão aos iraquianos”.
Guerra ilegítima, ilegal e suja
Depois de o PS, pela voz de Ferro Rodrigues, ter apresentado a moção de censura ao Governo, as restantes forças políticas da esquerda convergiram, igualmente, nas críticas ao Executivo.
PCP, BE e PEV criticaram duramente o alinhamento com uma ofensiva militar contra o regime de Saddam Hussein. O Governo deve ser censurado pela subserviência face aos Estados Unidos, preconizaram.
O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, adjectivou a guerra, que granjeou o apoio do Governo português, como “ilegítima, ilegal, suja, preventiva e um acto de agressão”.
O deputado bloquista Luís Fazenda censurou o primeiro-ministro pelo apoio ao “imperialismo” norte-americano, advogando que os EUA se mobilizaram para a guerra com os propósitos de dominarem o Iraque e os seus recursos petrolíferos, O parlamentar desafiou Durão Barroso a dizer o que pensa sobre o futuro da ONU, uma vez que a intervenção ocorre sem o aval do Conselho de Segurança.
Também Isabel de Castro, de Os Verdes, criticou o Governo por ter associado a uma guerra que classificou como ilegítima e que resultará na morte de “milhares de inocentes”.