"Irregularidades" põem directora da FLUP sob alçada disciplinar
A Reitoria da Universidade do Porto (UP) anunciou hoje a abertura de um inquérito disciplinar a uma ex- directora de serviços da Faculdade de Letras (FLUP) alegadamente envolvida em irregularidades detectadas numa auditoria, disse hoje fonte ligada ao processo.
Fonte da UP precisou que o inquérito será aberto a pedido da própria FLUP, na sequência de um relatório de auditoria, a que a Lusa teve acesso, produzido pelo consultor da Reitoria, Ernesto Silva.
De acordo com a presidente do conselho directivo da FLUP, Ana Monteiro, esse relatório confirma os "indícios" de irregularidades que a faculdade tinha apontado num dossiê entregue na segunda quinzena de Julho ao reitor Novais Barbosa.
A funcionária visada é Helena Maciel, que exercia há cinco anos, em comissão de serviço, as funções de directora dos Serviços Económico-Financeiros e do Património da FLUP.
Helena Maciel pertence aos quadros da Faculdade de Engenharia para onde regressou no princípio deste mês, após entrar em ruptura com o Conselho Directivo da FLUP.
Segundo Ana Monteiro, Helena Maciel demitiu-se das funções três horas antes de uma reunião do Conselho Directivo que tinha precisamente a sua destituição como um dos pontos da ordem de trabalhos.
O relatório de auditoria produzido por Ernesto Silva assinala "procedimentos que não parecem ser os mais correctos", nomeadamente a realização de despesas antes da sua autorização pelo Conselho Directivo.
Entre outras alegadas irregularidades, a auditoria aponta ainda procedimentos específicos que "não respeitaram os princípios legalmente previstos para a aquisição de bens e serviços".
A forma como foram pagas obras de 60 mil euros no Palacete Burmester é igualmente questionada pelo auditor.
Segundo Ana Monteiro, o Conselho Directivo pediu também à Reitoria apoio jurídico para instaurar um processo-crime à funcionária em questão, um pedido que a Reitoria prometeu satisfazer.
Ana Monteiro especificou que o processo-crime a instaurar baseia-se em "injúrias" que Helena Maciel terá produzido numa carta de despedida aos docentes e funcionários da FLUP.
"Cá estarei para reagir", respondeu a visada, em declarações à Agência Lusa.
Na carta que originou o pedido de processo-crime Helena Maciel diz ter sido proibida de falar com os presidentes dos departamentos de determinados assuntos de serviços, "por serem considerados incomodativos".
"Fui confrontada e intimidada com situações absolutamente desajustadas ao desempenho das minhas funções", lê-se ainda na missiva a que a Lusa teve acesso.