Isaltino acusa Marques Mendes de ser o homem no PSD que faz "mais pressões"

O candidato independente à Câmara de Oeiras Isaltino Morais acusou o presidente do PSD, Luís Marques Mendes, de ser o homem dentro do partido que nos últimos 30 anos mais pressões fez para colocar os amigos em cargos públicos.

Agência LUSA /
Lusa

"Se há alguém no PSD que ao longo dos últimos 30 anos sempre se preocupou em colocar os amigos aqui e além (...) é o doutor Marques Mendes", declarou Isaltino Morais à SIC Notícias na noite de quinta- feira.

A comissão política nacional do PSD vetou na passada quarta- feira a proposta de candidatura de Isaltino Morais para a Câmara Municipal de Oeiras, decidindo apoiar Teresa Zambujo.

A decisão da direcção em não apoiar estes dois candidatos era conhecida desde o início do mês, já que em declarações aos jornalistas, há cerca de duas semanas, Marques Mendes, invocou questões de credibilidade e confiança política para justificar a recusa da direcção do partido em apoiar Isaltino Morais.

Já depois de terem tido conhecimento da decisão do partido em não apoiar a sua recandidatura, Isaltino Morais garantiu que será candidato, com ou sem o apoio do PSD.

Na entrevista à SIC-Notícias na noite de quinta-feira, Isaltino Morais citou o que considerou ser um exemplo de pressão exercida sobre si por Luís Marques Mendes quando era ministro das Cidades, do Ordenamento do Território e do Ambiente e o actual líder "laranja" era ministro dos Assuntos Parlamentares.

Segundo Isaltino, Marques Mendes pressionou-o no sentido de nomear um conhecido seu para o cargo de presidente da empresa pública Águas de Portugal.

"Pressionou-me a mim e ao próprio primeiro-ministro (então Durão Barroso) para designar uma determinada pessoa para a presidência da Águas de Portugal", disse Isaltino Morais, acrescentando que recusou o pedido por entender que o nome "indicado" por Marques Mendes não tinha "competência técnica" na matéria para o cargo.

O ex-ministro das Cidades admitiu no entanto que acabou por nomear a pessoa não para presidente mas sim para o cargo de administrador na Águas de Portugal.

Embora não tenha mencionado o nome da pessoa por quem Marques Mendes terá intercedido, Isaltino Morais revelou que se trata do "primeiro vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD".

Confrontado na noite de quinta-feira com as declarações de Isaltino Morais, Marques Mendes respondeu também à SIC-Notícias que as suas decisões "suscitam pressões, pressões muitas vezes com inverdades".

O líder do PSD referia-se à sua decisão de não apoiar Isaltino Morais à presidência da Câmara de Oeiras.

"Nenhuma pressão me vai fazer recuar", disse Marques Mendes sobre a declarações de Isaltino Morais, acrescentando que está a fazer o melhor "para defender o país e a credibilidade do partido" que dirige.

Isaltino Morais esteve à frente do município de Oeiras até Abril de 2002, altura em que saiu da câmara para exercer o cargo de ministro das Cidades, do Ordenamento do Território e do Ambiente no Governo de Durão Barroso.

Um ano depois, Isaltino deixou o executivo por considerar que não tinha condições para exercer cargos políticos na sequência da investigação de que estava a ser alvo por contas bancárias que alegadamente possuía na Suíça sem as ter declarado, um processo que ainda está em curso.

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