Isaltino Morais desfiliou-se do PSD

Isaltino Morais pediu hoje, numa carta enviada ao líder do PSD, Marques Mendes, a desfiliação do partido, que não apoiou a sua candidatura à Câmara de Oeiras nas autárquicas de 09 de Outubro.

Agência LUSA /

O anúncio foi feito pelo ex-autarca de Oeiras numa conferência de imprensa, depois de apresentar, no tribunal, as suas listas à Câmara, Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia do concelho.

"A formalização da minha candidatura à Câmara de Oeiras não é, nos termos estatutários, compatível com a conservação da minha qualidade de militante", reconhece Isaltino Morais na carta a Marques Mendes, a que a Agência Lusa teve acesso.

O ex-autarca justifica ainda a decisão de se desfiliar - "fazer cessar" a sua qualidade de militante - com o facto de não querer "sujeitar o PSD a uma situação de confronto e de desgaste prejudicial à imagem do partido no contexto nacional".

O PSD estava à espera da formalização da candidatura de Isaltino Morais como independente, contra a candidatura oficial do partido, para avançar com o processo disciplinar que deveria conduzir à sua expulsão.

Apesar de apoiada por algumas secções de Oeiras, a direcção de Marques Mendes não apoiou a recandidatura de Isaltino Morais, optando por apresentar como candidata Teresa Zambujo.

"Olho para trás, revejo o passado recente e continuo a sentir a injustiça da situação agora criada", escreve o antigo autarca, lembrando que "fontes da Comissão Política Nacional" anunciaram o veto ao seu nome ainda antes da decisão dos órgãos do partido.

O candidato independente à Câmara de Oeiras aponta ainda a "retórica moralista em credibilizar a política" de Marques Mendes para dizer que "é fácil sacrificar na praça pública dois ou três militantes que possam estar mais fragilizados perante as constantes fugas de informação e a onda de suspeição".

Prometendo "não alimentar qualquer polémica que possa denegrir a imagem do PSD e dos seus dirigentes", o antigo ministro das Cidades garante que voltará ao partido "logo que volte a ser dirigido numa perspectiva de união dos militantes e não de uma facção".

Presidente da Câmara de Oeiras durante 16 anos, Isaltino Morais é arguido num processo que envolve contas bancárias suas na Suíça, não declaradas ao Tribunal Constitucional, e que ditou a sua saída do Governo PSD/CDS, em Março de 2003.

O artigo 9º dos estatutos do PSD estipula que "cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral em candidatura adversária da candidatura apresentada ou apoiada pelo PPD/PSD".

Era este o artigo que deveria servir de base à decisão do órgão jurisdicional dos sociais-democratas para decretar a sanção contra Isaltino.

O Conselho de Jurisdição abriu um inquérito disciplinar a Isaltino Morais em Maio, após uma queixa de um militante contra actividades desenvolvidas pelo antigo autarca "à revelia" da candidatura oficial do partido ao município, Teresa Zambujo.

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