"Isto é o Diabo que de vez em quando se levanta"
Canal, Santarém, 09 Abr (Lusa) - O remoinho de vento forte que hoje se fez sentir na zona de Amiais e Canal, Santarém, não é novidade para os moradores que recordam outros momentos dramáticos causados pelo mau tempo mas sem tantos danos.
"Isto é o Diabo que de vez em quando se levanta", afirmou Constantino Silva, apontando para o interior da casa sem telhas e para o curral com restos de coberturas de ferro de uma fábrica da aldeia do Canal, Santarém.
Aquela zona, na confluência das serras de Aire, Candeeiros e Montejunto, é palco recorrente de ventos irregulares e fortes que chegam a arrancar telhas e partir árvores.
"Aqui há 40 anos, houve outra coisa do género que destruiu aqui algumas casas na aldeia", recorda Constantino Silva, que não encontra explicação para este fenómeno.
"Eu só via as coisas a voarem numa espécie de remoinho escuro", recorda Dília Lopes, que espreitou pela janela enquanto o vento semeava destruição pela aldeia.
"Quando me levantei, até as pernas me tremiam por que não sabia o que ia encontrar", disse esta moradora.
António Reis, proprietário de uma serração perto daquela aldeia, salienta que "só vendo é que é possível acreditar na força do vento" que "levantou paletes inteiras e espalhou-as por aí", virando ainda máquinas e partindo vidros de carros estacionados.
"A força era tanta que se uma pessoa estivesse na rua sairia por aí a voar", sustentou este empresário.
Há dois anos, um fenómeno semelhante foi também sentido, embora com menos violência, e desta vez o vento percorreu parte do mesmo caminho, como prova a serração "José Parreira Gabriel", totalmente destruída pelo mau tempo.
"Aqui há dois anos, foi um pavilhão, agora foi tudo", disse o proprietário, José Gabriel, visivelmente transtornado com a destruição da fábrica.
O cimento foi arrancado e as paredes destruídas, restando somente o edifício dos escritórios, onde a maior parte dos 20 operários se abrigou.
Este edifício havia sido construído recentemente depois de um incêndio ter destruído há uns anos a primeira fábrica.
"Ainda estávamos a pagar esta obra e agora está tudo de rastos", acrescentou um operário da fábrica, que teme agora pelo seu futuro com esta catástrofe.