Jardim criticou desumanização tecnocrata das políticas europeias

Funchal, 19 Set (Lusa) -- O presidente do Governo Regional da Madeira criticou hoje a "desumanização tecnocrata das políticas europeias", considerando que, por vezes, a Europa parece estar sem objectivos claros para o futuro.

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Alberto João Jardim falava na abertura de uma conferência subordinada ao tema "migração e desenvolvimento romper as barreiras com cooperação", organizada pelo Centro Internacional de Formação dos Trabalhadores da Indústria e Energia (CIFOTIE), que reúne na capital madeirense até 21 de Setembro representantes de vários países.

"Há desumanização tecnocrata nas políticas europeias onde as ideologias contam cada vez menos", disse o governante insular, dando como exemplo o caso do Governo da República socialista em Portugal que tem adoptado "medidas de capitalismo selvagem" que apenas satisfazem o grande capital e os banqueiros.

"A Europa às vezes parece que não tem objectivos claros", opinou.

Jardim argumentou contra a política de equilíbrio orçamental da União Europeia, considerando que "o défice orçamental não é nenhum drama" desde que observe alguns pressupostos, entre os quais a promoção do desenvolvimento.

Adiantou "não ser possível aplicar critérios orçamentalistas" a países com realidades diferentes, como Portugal em comparação com a Holanda e Alemanha que têm índices de riqueza mais elevados.

Realçou ainda ter sido "penalizante" para a Madeira o facto de ter atingido patamares de desenvolvimento com a boa aplicação dos fundos comunitários, situação que mereceu prémios da UE, quando até "há uma região que recebeu mais, mas não se desenvolveu para continuar a ser de Objectivo Um, vivendo à custa dos contribuintes europeus".

Jardim defendeu também que a "União Europeia tem que ter uma lógica de fronteira exterior sob o perigo de vir a ser totalmente estraçalhada por outros grupos mundiais", pois "escancarar" a Europa fará "entrar a pessoas que vêm viver à custa dos sistema sociais".

Nesta sessão de abertura foi transmitida uma mensagem e vídeo do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que declarou que só uma verdadeira política comum de imigração e integração pode resolver os problemas dos fluxos migratórios.

Para Durão Barroso, "esta será a forma de transformar a imigração uma oportunidade e um valioso trunfo para a Europa", sustentando que "o Velho Continente precisa de mão-de-obra do exterior para compensar o envelhecimento demográfico".

Apontou que a "imigração económica deverá reforçar a competitividade e dinamismo da economia europeia, aumentando o seu potencial de crescimento"

"Contrariando mitos da Europa Fortaleza, a imigração legal será promovida, estando previstas condições mais uniformes de entrada e residência legal na UE, prevendo-se a introdução a longo prazo de um verdadeiro visto europeu", disse.

Durão Barroso defendeu ser necessário "pôr termo a 27 políticas de imigração distintas naquilo que é um espaço único de livre circulação", o que passa pela criação de um verdadeiro quadro de cooperação entre a União Europeia e os países de origem dos imigrantes, num espírito de responsabilidade partilhada.

"A Europa deve tornar-se mais dinâmica, competitiva ao mesmo tempo que se mantém solidária com o resto do mundo", concluiu.

"Situação e perspectivas da imigração na área do Mediterrâneo", "formação profissional e os imigrantes e a sua integração no mercado de trabalho", "o papel das associações de trabalhadores imigrantes no novo diálogo social europeu versus cooperação", são alguns dos temas em debate neste encontro.

AMB


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