Jardim não comemora 25 de Abril

Alberto João Jardim apoia a decisão da Assembleia madeirense de não comemorar o 25 de Abril de 1974, mas considera a autonomia das Regiões Autónomas "uma das poucas bem conseguidas consequências do 25 de Arbil".

Agência LUSA /
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Em artigo de opinião publicado hoje no Jornal da Madeira, o presidente do Governo Regional chama "Ayatholas do 25 de Abril", "hipócritas" e "sacerdotes fundamentalistas do regime" aos que criticaram a atitude assumida pela Assembleia Legislativa de não comemorar este ano o 25 de Abril de 1974.

O país "está afogado em problemas devido também às derivas que o 25 de Abril sofreu, desde a tentativa, logo a seguir, de instaurar uma ditadura comunista que trouxe os custos que ainda hoje pagamos, até à decadência corporativista e anti-democrática em que o regime definha", escreve Jardim.

Para Alberto João Jardim, o "mais importante" para "os sacerdotes fundamentalistas do regime é fazer +sessões comemorativas+, onde hipocritamente se misturam democratas e anti-democratas, se fazem proclamações sem continuidade eficiente".

"São estes mesmos hipócritas que querem reduzir o 25 de Abril a tal tipo de sessões evocativas, quando Abril é uma batalha diária em prol dos portugueses", escreve.

Na opinião de Jardim, a Assembleia Legislativa "decidiu, e bem, não proporcionar o espectáculo hipócrita que, em Lisboa, leva ao orgasmo parolo dos que evocam Abril, mas pouco ou nada fizeram para que a Revolução dos Cravos correspondesse às legítimas expectativas dos portugueses".

O governante madeirense acusa, assim, os que criticam a Assembleia Legislativa de serem "iguaizinhos aos tipos do regime de 28 de Maio".

Para João Jardim, "a autonomia das Regiões Autónomas é uma das poucas bem conseguidas consequências do 25 de Arbil". "Quem não celebra o regime com tiradas tontas, é proscrito", escreve, concluindo: "evoca-se o 25 de Abril para logo a seguir o negar, recusando a liberdade regional de seguir o respectivo percurso político, recusando a liberdade de fazer ou não fazer sessões comemorativas hipócritas, recusando a própria liberdade fundamental de ter entendimento regional sobre a Constituição da República".

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