Jardim não quer PR "orientador de estágio" de Sócrates

Alberto João Jardim afirmou que Cavaco Silva poderá transformar-se "no orientador de estágio do engenheiro Sócrates" caso promulgue a Lei das Finanças Regionais e o Orçamento de Estado.

Agência LUSA /
Alberto João Jardim, Presidente governo regional da Madeira DR

"Não queria ver o Presidente da República, em quem votei e em quem tenho confia nça, transformado no orientador de estágio do engenheiro Sócrates", disse Jardim , no Funchal, no encerramento da discussão do Plano e Orçamento para 2007, no pa rlamento madeirense.

Num discurso de quase duas horas, o governante insular acrescentou que o "povo soberano" votou neste Presidente da República para ser "um contra-poder, indepen dente, da política do primeiro-ministro, e não para orientar o estágio de Sócrat es".

Rejeitou ter tido alguma vez a intenção de se demitir face à actual conjuntura e que "se o Presidente da República tem dúvidas" sobre estas matérias deveria "o uvir o povo madeirense que em maioria votou nele e ver que a saída é a dissoluçã o do parlamento".

Jardim anunciou ter já elaborado a lista de entidades (estados e instâncias) a nível internacional a quem a Madeira pretende denunciar "o que está a ser feito à Região".

"Depois dos factos consumados vamos fazer chegar a todos os sítios a forte camp anha do governo português, as patifarias, sem ideias de separatismo. Vamos mostr ar a careca do que se passa em Portugal", afirmou.

Jardim criticou os cortes financeiros determinados pelo executivo central à Mad eira, declarando que "mais uma vez a história repete-se, o povo madeirense está a ser roubado, agredido, e o autor é o governo de terrorismo político do secretá rio-geral do PS, incompetente e despesista".

"A Madeira está a ser roubada, foi roubada durante 250 anos, durante os quais t rês quartos do que produzíamos foi sonegado pelo poder central", referiu.

E adiantou: "acusam-nos de ser um fardo para o país, quando representamos 0,37 por cento do Orçamento de Estado, temos uma população que é 2,5 por cento da do país e o dinheiro que vem de Lisboa representa 0,14 por cento do PIB. Quem está a ganhar com a Madeira é o Estado". Sobre a Lei das Finanças Regionais disse ser "a canalhice levada ao extremo" e classificou o Orçamento de Estado para 2007 de "tresloucado" e "altamente desast roso" porque "vem aumentar a despesa corrente e diminui o investimento, o que im plica também aumento do desemprego".

Reiterou as acusações ao actual executivo da República, que chamou de "governo Vasco Gonçalves II", sustentando que "está a fazer uma "jogada meramente partidá ria" face às vitórias eleitorais do PSD nesta Região e que adoptou uma "estratég ia para retirar meios à Madeira".

"Vamos aguardar civilizadamente as decisões do Tribunal Constitucional e dos tribunais comuns, aos quais recorremos, e do Presidente da República", declarou ainda o líder insular.

Jardim garantiu que face à actual situação os madeirenses "devem sentir-se preo cupados, mas não em desespero" e que o executivo madeirense "vai realizar o prog rama de governo", admitindo ser necessário fazer algumas "adaptações".

Sobre o Orçamento Regional para 2007, na ordem 1.556 milhões de euros, menos 0, 2 por cento que o do ano em curso, disse que, "apesar do garrote financeiro, con tinuará a ser tanto quanto possível virado para o investimento", área em que pre vê um acréscimo de 1,6 por cento.

Realçou que as prioridades são o social, o incentivo ao sector produtivo e ao e mprego e o reforço da promoção turística.

O Orçamento Regional para 2007 foi hoje aprovado com os votos favoráveis do PSD , contra do PS, BE e PCP e abstenção dos dois deputados independentes e CDS.

Por seu turno, a aprovação do Plano aconteceu com os votos a favor da bancada s ocial-democrata, abstenção dos socialistas, populares e independentes e contra d os representantes dos bloquistas e comunistas.

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