Jerónimo avisa que Governo poderá cair se não mudar de política

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, a visou hoje o primeiro-ministro de que o seu Governo poderá não durar até ao fim da legislatura, como aconteceu com executivos anteriores, se não mudar de políti ca orçamental.

Agência LUSA /

No final da sua intervenção no debate do Orçamento do Estado (OE) para 2006, na generalidade, Jerónimo de Sousa aconselhou o primeiro-ministro, José Só crates, a "arrepiar caminho" e optar por uma política que potencie o crescimento e maior justiça social.

Se o Governo do PS não mudar de política orçamental "acabará por ter o destino que outros governos tiveram com orçamentos deste género", completou o se cretário-geral do PCP, numa alusão aos anteriores executivos que não duraram os quatro anos da legislatura.

No seu discurso, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de, com o OE para 2 006, penalizar as contas "dos trabalhadores, reformados e do povo em geral", pro tegendo de medidas de austeridade "os grandes interesses, as grandes empresas e o grande capital financeiro".

O secretário-geral comunista contestou o "pacote de privatizações" prev isto no orçamento, "nomeadamente na área da saúde", na "energia" ou "com a conce ssão da água, colocando este bem fundamental para as populações a reboque da lóg ica do lucro privado".

"O que está em curso é a paulatina transformação da matriz do Estado de Direito Democrático ao serviço do povo em Estado mínimo ao serviço dos grandes senhores do dinheiro", acusou Jerónimo de Sousa.

Defendendo um modelo oposto ao do secretário-geral do PCP, antes, o pre sidente do PSD, Marques Mendes, tinha vaticinado a redefinição das funções do Es tado - "um dia vai ser feita, ou por vontade própria de um Governo ou por necess idade, a reboque dos acontecimentos".

"Não dura quatro anos e este Governo não vai ter alternativa a introduz ir portagens nas auto-estradas SCUT (sem custos para o utilizador)", sustentou, por outro lado, Marques Mendes, considerando que o Governo insiste em cumprir a promessa de manter essas vias gratuitas "por capricho".

Por sua vez, a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Helena Pinto argument ou, como o PCP, que o OE para 2006 "deixa cair os mais desprotegidos" e "desiste do combate aos verdadeiros privilégios", apontando "os lucros da banca privada" .

Helena Pinto criticou igualmente "o plano de privatizações", consideran do que este tem como objectivo "reestruturar as componentes accionistas destas e mpresas, pela lógica de engordar os privados e garantir um encaixe financeiro im ediato", mas "irrepetível".

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