Jerónimo contra propinas transformadas em "taxas financiadoras"
O candidato presidencial Jerónimo de Sousa criticou hoje a transformação das propinas no ensino superior em "taxas financiadoras", em vez de assumirem o seu papel de "taxas moderadoras".
Jerónimo de Sousa, que reuniu esta manhã com o vice- reitor da Universidade de Coimbra Avelãs Nunes, disse que as propinas não são utilizadas "para a acção social, mas para ajudar a estrutura" do ensino superior, acrescentando que o aumento das propinas "anda a par da redução orçamental para as próprias universidades".
"O que está a acontecer, é que os alunos cada vez pagam mais, as famílias pagam cada vez mais, conduzindo a que, num futuro próximo, seja subvertido o princípio da tal taxa moderadora, para ser uma fonte de financiamento e de discriminação, tendo em conta o poder económico de cada aluno", afirmou.
No encontro com Avelãs Nunes, Jerónimo abordou também o Processo de Bolonha, que visa a harmonização do ensino superior na Europa e, segundo afirmou, pode levar à "elitização do ensino".
Considerando que existe uma "agenda escondida", com "muita indefinição, procurando fazer-se licenciaturas em que se criem condições mínimas" para um emprego, o candidato comunista afirmou que "quando se trata de mestrados, as perspectivas de financiamento, a responsabilização do Estado nessa matéria começa a não ser clara".
Esta situação, segundo disse, "vai, inevitavelmente, levar à elitização do ensino".
"Isto vai levar a que muitos estudantes fiquem apenas com essa base da empregabilidade", disse Jerónimo de Sousa, admitindo que o país ficará com "uma massa pouco qualificada".
"Num momento em que se considera tanto a necessidade de qualificação, esta ideia economicista e elitista de Bolonha, é um problema que vai estar colocado com muita força num futuro próximo", disse ainda.
O candidato manifestou ainda a sua "profunda inquietação e desacordo pelo facto de Portugal, e também no plano do ensino superior, fique cada vez mais periférico, com cada vez menos qualificação, cada vez menos responsabilização do Estado".
Após o encontro com o vice-reitor da Universidade, Jerónimo de Sousa almoçou com alunos nas cantinas centrais daquele estabelecimento de ensino.
Sem grande aparato, Jerónimo esperou a sua vez na fila, foi servido de caldo verde e feijoada, bebeu um sumo e comeu uma laranja.
Pagou dois euros e meio e almoçou, tranquilamente, entre os estudantes, pouco habituados a visitas de candidatos presidenciais, antes de tomar café numa esplanada na Praça da República.