Jerónimo de Sousa fala de "laxismo" na política de incêndios
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje o "laxismo" dos vários Governos em política de incêndios, reclamando agora medidas excepcionais de apoios às populações atingidas.
Durante uma visita às zonas afectadas pelos incêndios no concelho de Pombal, Jerónimo de Sousa reclamou a atribuição do estatuto de calamidade pública aos concelhos mais atingidos pelos fogos florestais deste Verão.
"A uma situação excepcional entendemos que deverão ser aplicadas medidas excepcionais", disse, defendendo que o "Governo deve reconsiderar e não se escusar em avaliar as consequências destes incêndios" antes de conceder apoios.
Na sua opinião, trata-se de uma "tentativa clara de responsabilização dos pequenos proprietários" e uma forma de "sacudir a água do capote" por parte Governo socialista.
Para Jerónimo de Sousa, a posição inicial do Governo teve de ser alterada devido à dimensão dos fogos, tendo sido obrigado a pedir apoio à União Europeia.
"Começaram por nos afirmar que tinham os meios necessários para responder a qualquer calamidade", disse o líder comunista.
Hoje, em Pombal, Jerónimo de Sousa quis manifestar junto dos bombeiros e das populações "um profundo sentimento de solidariedade, porque foi um concelho duramente atingido pelos incêndios".
No passado, "ao longo de décadas, houve laxismo e um certo deixa andar em relação à situação que estamos a viver" no que respeita ao ordenamento florestal", afirmou Jerónimo de Sousa, defendendo o reforço dos apoios à população.
"Agora, preocupemo-nos com as pessoas que perderam bens", afirmou, considerando que a postura do Governo não tem ajudado.
Sobre a proposta de aquisição de meios aéreos, anunciada pelo ministro António Costa, Jerónimo de Sousa recordou que se trata de uma "velha proposta do PCP", que também defende a reutilização de aeronaves da Força Aérea Portuguesa, como por exemplo os C-130.
No entanto, "já é um sinal e valeu a pena a nossa insistência", disse Jerónimo de Sousa, prometendo estar atento à proposta de Orçamento para 2006 sobre esta matéria.
O director da Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais (ANIF), Ferreira do Amaral, admitiu terça-feira que a área ardida este ano poderá ter chegado aos 180 mil hectares.
Este valor ultrapassa a última estimativa da Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF), que apontava para 134,5 mil hectares de área ardida até 15 de Agosto, mais do que em todo o ano passado, quando foram consumidos pelas chamas 129.539 hectares.
Contudo, os valores exactos apurados pela DGRF até dia 14 Agosto apontam para 114.517 hectares de floresta ardida.
Em 2003, os incêndios destruíram 425 mil hectares, a maior área total devastada pelos fogos nos últimos 20 anos.