Jerónimo de Sousa não dormirá descansado se Cavaco ganhar
O candidato presidencial Jerónimo de Sousa assumiu-se hoje defensor da Constituição Portuguesa e declarou que não dormirá descansado caso Cavaco Silva ganhe as eleições presidenciais de 22 de Janeiro próximo, referindo-se a declarações de Manuel Alegre.
Jerónimo de Sousa, que falava na Madeira, acusou o candidato presidencial Manuel Alegre de ter dado uma "má contribuição" quando disse que "poderia ir dormir descansado se Cavaco Silva ganhasse as eleições no dia 22 de Janeiro".
A candidatura de Alegre "procura contrapor o exercício da cidadania com a liberdade e o funcionamento dos partidos", afirmou.
"Nós não dormiremos descansados até ao dia 22 de Janeiro e muito menos dormiríamos se Cavaco Silva fosse eleito Presidente da República", insistiu.
Jerónimo de Sousa falava durante uma visita à Madeira, onde jantou com militantes e simpatizantes da sua candidatura à Presidência da República.
O candidato apoiado pelo PCP salientou que esta sua oposição a Cavaco Silva não se devia "ao indivíduo em si".
"A nossa preocupação é as dinâmicas, os apoios que essa candidatura tem, que defendem claramente hoje que se rasgue a Constituição, que se rasgue os direitos dos trabalhadores, que se rasgue os direitos sociais e que se privatize o próprio Estado aos serviço dos grandes interesses", afirmou.
"Cabe ao povo português avaliar, face às candidaturas, e em particular face ao candidato apoiado pela direita, que candidaturas dão garantias de corresponderem a esse juramento solene (de cumprir a Constituição), mas também sobre o seu percurso, o seu passado político, sobre as políticas que empreenderam e apoiaram", acrescentou.
Salientou ainda que os grandes interesses económicos e financeiros pedem ao PSD e ao CDS-PP para que subscrevam "de cruz" a candidatura de Cavaco Silva e disse não ser por acaso que na Madeira "o presidente do Governo Regional tenha voltado o bico ao prego".
"Ele [Alberto João Jardim], que tanto mal falava de Cavaco Silva em Agosto, agora vem dizer que é preciso apoiar esta candidatura", lembrou.
Jerónimo de Sousa referiu também que o Orçamento de Estado atenta contra a Constituição da República, nomeadamente contra os direitos dos trabalhadores da Função Pública e contra direitos sociais e laborais.
"O pacto, o contrato, o compromisso que é essencial para a saída da crise chama-se Constituição da República Portuguesa e o projecto que ele comporta. A defesa da Constituição é, para nós, o grande pacto", concluiu.
EC Lusa/Fim