Joana Amaral Dias vai ser mandatária da juventude de Mário Soares
A dirigente nacional do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias afirmou hoje à Agência Lusa que será a mandatária para a juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência da República.
"É com gosto e entusiasmo que aceito o convite pessoal que me foi dirigido pelo dr. Mário Soares para ser mandatária da juventude da sua candidatura às eleições presidenciais", refere a ex-deputada e membro da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, o órgão máximo desta força política entre congressos.
Joana Amaral Dias disse que aceitou o convite do candidato apoiado pelo PS porque acredita "no projecto de Mário Soares para esta disputa, nomeadamente por toda a postura que tem revelado nestes últimos anos, onde sobressaiu uma perspectiva actual, reflexiva e interventiva sobre o mundo contemporâneo".
"O facto de, depois de ter terminado o seu (segundo) mandato como Presidente da República, ter continuado extremamente atento e activo, não apenas lhe permitiu acompanhar a sociedade que, manifestamente, mudou profundamente nesta última década, como se afigura como um aspecto essencial da sua candidatura em Janeiro", acrescentou a dirigente do Bloco de Esquerda.
Numa alusão indirecta à candidatura presidencial do coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Francisco Louça, Joana Amaral Dias defendeu a perspectiva de que as eleições para a Presidência da República "não devem ser partidárias".
"Como tal e embora, como se sabe, seja dirigente do Bloco de Esquerda - solidária com as suas causas como, por exemplo, as que defende nestas eleições autárquicas -, apoio a candidatura do dr. Mário Soares, entendendo que é, sem dúvida, a melhor opção para presidir ao país".
"Como muitos portugueses, acompanhei as intervenções televisivas, na imprensa ou noutros contextos de Mário Soares", referiu a dirigente do Bloco de Esquerda, destacando a presença do ex-chefe de Estado "nas manifestações contra a guerra no Iraque, a sua preocupação com a globalização neoliberal, a sua postura crítica sobre os caminhos da União Europeia e o seu pensamento sobre Portugal no século XXI".
"Embora no passado nem sempre tenha estado de acordo com Mário Soares, louvo muitas das suas opções e acções em momentos chaves da política e sociedade portuguesas", salientou ainda a ex-deputada do Bloco de Esquerda, para quem o ex-chefe de Estado se destacou "na luta contra a ditadura" e no processo de "entrada de Portugal para a União Europeia".
"Julgo os seus mandatos anteriores como Presidente da República globalmente equilibrados e inovadores, de onde resultou uma relação única com os portugueses, expresso em iniciativas como a Presidência Aberta, e uma postura dinâmica mas respeitadora das funções do governo", acrescentou.
A dirigente do Bloco de Esquerda elogia ainda em Mário Soares a sua "energia e optimismo - tão imprescindíveis agora -, o seu humanismo e diplomacia, a sua defesa clara da pluralidade na vida política e da democracia em Portugal".
"São, sem dúvida, características que pesam também na minha decisão" justificou ainda Joana Amaral Dias, sustentando que "as próximas eleições presidenciais são essenciais para o país, que se encontra numa situação difícil e que nelas deposita, legitimamente, grande importância" e em que "derrotar a direita é fundamental".