João Goulão diz que retomar programa "Porto Feliz" faz sentido
Porto, 04 nov (Lusa) - O diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, considerou hoje que a intenção do presidente da Câmara do Porto de recuperar o projeto "Porto Feliz" faz sentido se incluído numa "intervenção harmónica".
"Uma intervenção harmónica, integrada, na cidade do Porto dirigida à população toxicodependente, faz muito sentido", afirmou João Goulão, que falava à agência Lusa à margem da conferência "Novas Adições, Novos Desafios", organizada pela Administração Regional de Saúde do Norte.
O programa de tratamento e reinserção de toxicodependentes, que o presidente Rui Moreira disse querer "encontrar recursos" para reativar, foi iniciado no Porto no primeiro mandato do ex-autarca Rui Rio (PSD), em 2002, em colaboração com o Governo e a Segurança Social.
O projeto "Porto Feliz" terminou depois de o protocolo que o regia ter sido denunciado pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) em julho de 2006 e o presidente desta entidade, João Goulão, afirmou na altura estar ainda em negociação a continuidade da intervenção noutros moldes.
Hoje, João Goulão defendeu que este programa "deve ser integrado naquilo que são as políticas atuais, nomeadamente, deve ser enquadrado no Plano Operacional de Respostas Integradas. Se houver lugar à sua concretização, naturalmente estaremos abertos a isso".
"Não houve ainda qualquer contacto connosco, não faço ideia das intenções da Câmara Municipal, vi vagamente essa intenção de retomar o programa, mas há um enquadramento que é novo que não existia quando o programa foi lançado em 2002. Teríamos que nos sentar e pensar acerca disso", acrescentou.
João Goulão disse ainda não ter dúvidas de que "nas condições sociais que vamos vivendo, uma intervenção integrada na cidade faz sentido. Mas, não tenho minimamente os contornos daquilo que se pretende fazer neste momento".
A conferência "Novas Adições, Novos Desafios" visou sensibilizar os participantes para a adequação da intervenção dois profissionais às novas necessidades emergentes, promovendo respostas interinstitucionais, com impacto nos ganhos em saúde da população.