Jogo de video "Manhunt 2" com distribuição suspensa em Portugal

A Infocapital, importadora do jogo de vídeo "Manhunt 2", proibido na Grã-Bretanha e na Irlanda, suspendeu a distribuição em Portugal, de acordo com informações facultadas pela empresa à agência Lusa.

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"A Infocapital partilha e assume a posição da Take-Two Interactive Software na suspensão temporária nos planos de distribuição do jogo `Manhunt 2´ para as plataformas Wii e Playstation", declarou a Infocapital por e-mail.

A Take-Two Interactive Software, com sede em Nova Iorque e autora dos também polémicos jogos "Carmageddon" e "Grand Theft Auto", disse a 22 de Junho necessitar de tempo para "rever as suas opções", depois de a British Board of Film Classification e a Entertainment Software Rating Board, entidades que classificam os filmes e jogos de vídeo no Reino Unido, terem proibido o "Manhunt 2", que devia ser lançado a 10 de Julho.

"A par da Take-Two Interactive Software, também a Infocapital continua a acreditar neste extraordinário jogo", afirmou ainda a importadora, que sublinhou acreditar "na liberdade de expressão criativa, assim como num marketing responsável, ambos factores essenciais para a execução de um bom entretenimento".

A importadora portuguesa apoia-se nas palavras de Strauss Zelnick, presidente da empresa do grupo Take Two Interactive: "Acreditamos firmemente que pais e consumidores, uma vez informados sobre a natureza de qualquer produto de entretenimento, serão capazes de fazer as suas próprias opções".

"Eu próprio revi o jogo Manhunt 2. Enquadra-se perfeitamente dentro do género do horror e era isso mesmo que se pretendia. Conferindo uma qualidade cinemática única e genuína ao entretenimento interactivo. É também uma obra de arte. Mantenho-me inteiramente a seu lado", reforçou Strauss Zelnick, numa posição que a Infocapital subscreve.

Por seu lado, a Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) assinalou que, quando foi distribuído no País o primeiro jogo desta série, intitulado "Manhunt", a classificação estabelecida foi para maiores de 18 anos.

No que diz respeito à sequela, "não foi ainda emitida uma decisão final", de acordo com a inspectora Paula Andrade, embora a situação pareça conduzir a uma classificação similar à anterior.

Do ponto de vista comercial, Viriato Filipe, director de comunicação da FNAC, revelou à Lusa que "o `Manhunt´ passou na IGAC mas esteve tremido".

Afirmando preocupação pelo carácter violento da sequela, o responsável acrescentou que "os anteriores jogos de vídeo da produtora não tiveram grande procura por parte do público da FNAC e o `Manhunt 1´ permaneceu pouco tempo na loja".

"Mas, como são jogos muito promovidos na blogosfera e nas revistas da especialidade, não os ter nas prateleiras pode defraudar quem se dirigir às FNAC à procura deles", concluiu.

No Reino Unido, o British Board of Film Classification tinha proibido, em 1997, outro jogo da mesma empresa - "Carmageddon", no qual os jogadores ganhavam pontos ao atropelar pessoas - tendo a Take-Two Interactive Software estado envolvida num outro escândalo, há dois anos, quando um pirata informático descobriu uma cena de sexo escondida no jogo "Grand Theft Auto: San Andreas".

Além das proibições que suscitou na Grã-Bretanha e Irlanda, o jogo da marca Rockstar Games desencadeou polémica nos Estados Unidos devido ao seu conteúdo violento, uma vez que o protagonista é um homem que foge de uma instituição mental e inicia uma série de assassínios violentos.

Nos EUA, um grupo de médicos tem vindo a defender que o comportamento de crianças e jovens viciados em jogos de vídeos deve ser classificado como uma perturbação psiquiátrica e alega que mais de 90 por cento dos jovens americanos se diverte com jogos de vídeo e cerca de 15 por cento (cinco milhões) pode estar viciado.

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